8 de fev de 2014

Corrupção na europa atinge 120 bilhões de euros

Europa não consegue vencer a corrupção
Foto: SXC.hu

A corrupção atingiu na Europa uma envergadura estonteante e onera anualmente a União Europeia no valor de 120 bilhões de euros. Estes dados constam no Relatório sobre a corrupção nos países-membros da União Europeia, preparado pela Comissão Europeia. 
O informe contém a análise da situação em cada Estado do Velho Mundo e dos resultados da pesquisa da opinião pública. Mais da metade dos europeus consideram que durante os três últimos anos o nível da corrupção tinha crescido bruscamente.
A comissária da União Europeia para o interior Cecilia Malmstrom declarou no ato de apresentação do relatório que a corrupção prospera em todos os 28 países-membros da União Europeia, sem exceção. De acordo com a pesquisa da opinião pública, um de cada doze habitantes da Europa foi durante o último ano testemunha ou participante de uma ação corruptiva. 76% dos interrogados nos países-membros da União Europeia afirmam que a corrupção já se tornou uma parte inalienável das suas economias nacionais.
O especialista em problemas da região europeia Vladislav Belov afirma que estes resultados eram perfeitamente esperados.
“Pode-se recordar o século XIX e Karl Marx que afirmava que não existia crime que o capital seria incapaz de perpetrar a fim de obter um lucro. Por isso, a corrupção divide-se em dois setores: é o suborno dos dignitários e o suborno da companhia com que se pretende fazer uma transação. O informe é digno de nota em todos os seus aspectos. O mais importante é que a União Europeia está pronta a combater este fenômeno, pois é uma estrutura supranacional que procura sincronizar os esforços de combate à corrupção em todos os países, tanto mais que existe o mercado único de mercadorias e serviços e de pedidos estatais”.
A prática de concussão lançou raízes mais profundas na parte sul da Europa, afetada pela crise – nomeadamente na Itália, Espanha e Grécia. Por exemplo, 99% dos gregos e 97% dos italianos consideram que sem a concussão é praticamente impossível conseguir o necessário. A julgar por este mesmo informe, nos países setentrionais conseguir algo através da concussão é mais difícil.
A esfera mais suscetível da corrupção para toda a Europa são aquisições, feitas pelo Estado, declarou a comissária da União Europeia para o interior Cecilia Malmstrom.
“Todos os anos um quinto do PIB da União Europeia é gasto para a aquisição de mercadorias e de serviços, efetuada por Estados. Este é um componente importante da nossa economia. E segundo se soube, até um quarto do valor dos contratos estatais nos países-membros da União Europeia vai parar nos bolsos dos dignitários”.
O nosso perito Vladislav Belov ressalta que a corrupção na Europa se verifica em praticamente todas as esferas básicas da economia.
“Todos os projetos infra-estruturais constam nas listas de pedidos, feitos por Estados. Trata-se, em primeiro lugar, dos projetos relacionados à construção de estradas e de comunicações. A esfera de economia também é uma esfera de construção. São esferas mais suscetíveis tradicionalmente à corrupção”.
A própria Comissão Europeia é acusada frequentemente da existência de esquemas de corrupção, especialmente de ter praticado o lobby a fim de defender os interesses de um certo business. O lobby não é proibido oficialmente, nem perseguido pela lei, pois teoricamente semelhantes ações devem ser limitadas pelas tentativas de convencer a pessoa interessada e de apresentar os respectivos argumentos. Mas na realidade, elas resultam frequentemente na aprovação, em troca de uma boa recompensa, de novas leis que beneficiam as corporações.
Pode-se constatar que este processo de atividade legislativa chega amiúde ao absurdo. Por exemplo, a Comissão Europeia impôs restrições para a forma e para a curvatura dos pepinos. O pepino que não correspondia a respectiva norma, era submetido ao processo de transformação. Esta lei ridícula é resultado do lobismo de certas companhias comerciais que tinham calculado que o número de pepinos retos que cabe numa caixa é maior, o que diminui, por conseguinte, as despesas com o seu transporte.
Mais tarde a “lei do pepino”, que acarretavam prejuízos enormes aos agricultores, acabou por ser revogada. Durante cinco anos a Comissão Europeia revogou quase um total de seis mil leis e ninguém pode calcular, quantas delas eram corrupcionistas ou lobistas.
Créditos Voz da Rússia