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12 de mar. de 2020

#vazajato - O que a justiça americana foi supostamente fazer em Curitiba? - créditos The Inthercept


O que a justiça americana foi fazer em Curitiba? - créditos The Inthercept

Novos chats da série As conversas secretas da Lava Jato mostram como procuradores do Ministério Público Federal em Curitiba ocultaram sua colaboração com o Departamento de Justiça dos EUA (órgão equivalente ao Ministério da Justiça no Brasil). 
A nova reportagem é fruto de parceria com a Agência Pública e foi feita com duas jornalistas feras: Natália Viana e Maryam Saleh. Nela, revelamos como a equipe de Deltan Dallagnol fez de tudo para facilitar a investigação dos americanos – a tal ponto que pode ter violado tratados legais internacionais e a lei brasileira. 
Em outubro de 2015, ao menos 17 americanos viajaram à sede do MPF em Curitiba para quatro dias de reuniões com a força-tarefa. Deltan tentou manter sigilo, mas a visita vazou para jornalistas. Pressionado por sua assessoria, o procurador escreveu em um dos chats: os “Americanos não querem que divulguemos as coisas”.
A intenção de Deltan não era esconder suas conversas com os americanos apenas da imprensa e do público, mas principalmente do Ministério da Justiça. José Eduardo Cardozo, ministro à época, só ficou sabendo da vinda dos investigadores estrangeiros pela imprensa – e quando eles já estavam no Brasil. 
“Eu não goste da ideia do executivo olhando nossos pedidos e sabendo o que há”, disse Deltan a um colega. Era uma resposta a dúvidas relacionadas à visita levantadas por um delegado federal que trabalhava no Ministério de Justiça. O procurador, como tantas vezes a Vaza Jato mostrou, parecia não ver limites para seu poder.

LEIA A MATÉRIA COMPLETA →  

Andrew Fishman
Editor Geral
 

17 de set. de 2019

Cem minutos na prisão com Lula, por Ignacio Ramonet - professor e jornalista espanhol


Lula e Ramonet na sede da Superintendência da PF na última quinta-feira (12) / Reprodução



Cem minutos na prisão com Lula, por Ignacio Ramonet

O professor e jornalista espanhol radicado na França visitou o ex-presidente na sede da Polícia Federal em Curitiba

O ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, preso na cidade de Curitiba, no sul do país, só pode receber duas visitas por semana. Uma hora. Nas quintas pela tarde, entre quatro e cinco horas. Tenho que esperar minha vez. E a lista de quem pode vê-lo é longa… Mas hoje, dia 12 de setembro, estamos aqui eu e Adolfo Pérez Esquivel, um vencedor do Prêmio Nobel da Paz.
Lula está na prisão, cumprindo pena de 12 anos e 1 mês “por corrupção passiva e lavagem de dinheiro”, mas sem ter sido condenado definitivamente (ainda pode apelar) e apesar de seus acusadores não terem comprovado sua culpa. Tudo é uma farsa, como é possível ver nas demolidoras revelações do The Intercept, meio digital investigativo, dirigido por Glenn Greenwald. Lula foi vítima da arbitrariedade mais absoluta. Uma trama jurídica totalmente manipulada, destinada a arruinar sua popularidade e eliminá-lo da vida política, a assassiná-lo midiaticamente. Impedindo, desse modo que pudesse se apresentar e ganhar as eleições presidenciais de 2018. Uma espécie de “golpe de Estado preventivo”.
Antes de ir à prisão – situada a sete quilômetros do centro de Curitiba –, nos reunimos com um grupo de pessoas próximas ao ex-presidente, para que nos expliquem o contexto.
Roberto Baggio, dirigente local do Movimento dos Sem Terra (MST), nos conta como se organizou a mobilização permanente que chamam de “Vigília”. Centenas de pessoas do grande movimento Lula Livre. Acampam em frente ao edifício da carceragem, organizando reuniões, debates, conferências, concertos… E três vezes por dia – às 9h, a às 14h30 e às 19h –, lançam a todo pulmão um sonoro “bom dia!”, “boa tarde!”, “boa noite, Presidente Lula”… segundo eles, “para que Lula nos ouça, para dar ânimo”, nos diz Baggio, “e para levar a ele a voz do povo… no começo, pensávamos que isso duraria cinco ou seis dias e que o Supremo Tribunal Federal (STF) o colocaria em liberdade… mas agora estamos organizados para um protesto popular prolongada…”.
Carlos Luiz Rocha é um dos advogados de Lula. Ele o visita quase todos os dias e nos conta que a equipe jurídica do ex-presidente questiona a imparcialidade do juiz Sérgio Moro – recompensado por Jair Bolsonaro com o Ministério da Justiça – e dos procuradores… “O The Intercept demostrou que Deltan Dallagnol, o procurador-chefe, confirmou pessoalmente que `no caso de Lula, a questão jurídica é pura filigrana… o problema é político´”.
Rocha é relativamente otimista, porque, segundo ele, a partir do próximo 20 de setembro, Lula já terá cumprido parte da pena suficiente para poder obter prisão domiciliar. “Há outro elemento importante, enquanto a popularidade do Bolsonaro está em queda fortemente, as pesquisas mostram que a de Lula volta a subir… atualmente, já são mais de 53% os cidadãos que pensam que Lula é inocente. A pressão social vai sendo cada vez mais intensa a nosso favor”.
Juntou-se a nós a amiga Mônica Valente, secretaria de relações internacionais do Partido dos Trabalhadores (PT) e secretária-geral do Foro de São Paulo.Entre amigos, caminhamos na direção do edifício, onde Lula está preso.
A visita está marcada para as 16h. Mas antes passamos pela Vigília, para cumprimentar as pessoas ali acampadas, e depois nos preparamos para as formalidades de entrada ao edifício carcerário. Não é uma prisão qualquer, mas sim a sede administrativa da Polícia Federal, que improvisou um local que serve de cela.
Só quatro pessoas podem entrar para ver Lula: Adolfo Pérez Esquivel e eu, acompanhados pelo advogado Carlos Luiz Rocha e Mônica Valente. O recepcionista é cordial, mas sem deixar de ser muito rígido. Ele confisca temporariamente os nossos telefones e nos faz uma minuciosa vistoria eletrônica. Só é permitido levar até o réu livros e cartas, e por sorte, porque Adolfo trouxe a ele 15 mil cartas de admiradores em um pendrive, que foi confiscado para verificação, e logo devolvido.
Lula está no quarto andar do edifício. Não o veremos em uma sala especial para visitas, e sim na própria cela, onde está preso. Subimos por um elevador até o terceiro andar, e de lá seguimos pelas escadas. No final do corredor, à esquerda, está a porta. Um guarda armado está sentado ao lado, e é quem nos abre. Nada disso se assemelha a uma prisão, exceto os guardiães. Parece um local administrativo e anônimo, cheio de escritórios. O carcereiro-chefe Jorge Chastalo (está escrito em sua camiseta), um sujeito alto, forte, loiro e olhos verde-azuis, com os antebraços tatuados, foi quem nos acompanhou. Um homem amável e construtivo, quem tem, suponho, relações cordiais com seu prisioneiro.
Só quatro pessoas podem entrar para ver Lula: Adolfo Pérez Esquivel e eu, acompanhados pelo advogado Carlos Luiz Rocha e Mônica Valente. O recepcionista é cordial, mas sem deixar de ser muito rígido. Ele confisca temporariamente os nossos telefones e nos faz uma minuciosa vistoria eletrônica. Só é permitido levar até o réu livros e cartas, e por sorte, porque Adolfo trouxe a ele 15 mil cartas de admiradores em um pendrive, que foi confiscado para verificação, e logo devolvido.Lula está no quarto andar do edifício. Não o veremos em uma sala especial para visitas, e sim na própria cela, onde está preso. Subimos por um elevador até o terceiro andar, e de lá seguimos pelas escadas. No final do corredor, à esquerda, está a porta. Um guarda armado está sentado ao lado, e é quem nos abre. Nada disso se assemelha a uma prisão, exceto os guardiães. Parece um local administrativo e anônimo, cheio de escritórios. O carcereiro-chefe Jorge Chastalo (está escrito em sua camiseta), um sujeito alto, forte, loiro e olhos verde-azuis, com os antebraços tatuados, foi quem nos acompanhou. Um homem amável e construtivo, quem tem, suponho, relações cordiais com seu prisioneiro.
Em outro ângulo do fundo, à direita, há uma pequena academia de ginástica, com um banco coberto de falso couro negro, para exercícios, elásticos para musculação e uma grande caminhadora. Ao lado, entre a cama e a máquina de exercícios, um pequeno aquecedor elétrico sobre rodas. No alto da parede do fundo, sobre as janelas, há um ar condicionado branco.
No meio da habitação, uma mesa quadrada de 1,20 de lado, coberta com um pano de cores celeste e branco, e quatro cadeiras confortáveis, com descansos para os braços, de cor negra. Um quinto assento, uma poltrona, está disponível contra a parede direita. Finalmente, perto da parede que separa o quarto do banheiro, há um armário grande, de três colunas, mesclando cores branco e roble claro, e uma pequena estante ao lado direito, que serve de biblioteca.Tudo era muito modesto e austero, até um pouco espartano para um homem que foi, durante oito anos, o presidente de uma das dez principais potências do mundo… mas tudo muito ordenado, bem limpo e organizado…
Com seu carinho de sempre, com um caloroso abraço e palavras genuínas de amizade e afeto, Lula nos acolhe com sua voz característica, rouca e potente. Veste uma camiseta do Corinthians, o time de futebol para o qual ele torce, uma calça cinza clarinha e uns chinelos tipo havaianas. Parece estar muito bem de saúde, robusto, forte: “caminho nove quilômetros diários”, diz ele. E em excelente estado psicológico: “estamos à espera de tempos melhores, por isso não estou pessimista, e nunca fui um depressivo, jamais, desde que nasci, e por isso não posso ser agora”, afirma.
Nos sentamos em torno da mesinha, ele diante da porta, de costas para a janela, Adolfo à sua direita, Mônica em frente, o advogado Rocha um pouco mais agastado, entre Adolfo e Mônica, e eu fico à sua esquerda. Sobre a mesa, há quatro estojos com de lápis de cores e canetas.
Entrego a ele os dois livros que trouxe, as edições brasileiras de “Cem horas com Fidel” e “Hugo Chávez, minha primeira vida”. Ele brinca sobre sua própria biografia, que está sendo escrita já há alguns anos, pelo nosso amigo Fernando Morais: “não sei quando ele a terminará… tudo começou quando eu deixei a Presidência, em janeiro de 2011. Alguns dias depois, fui a um encontro com os catadores de reciclados de São Paulo… estávamos debaixo de uma ponte, e ali havia uma menina que se aproximou e me perguntou se eu sabia o que tinha feito a favor dos catadores… aquilo me surpreendeu, e disse que, bom, tínhamos feito programas sociais em educação e saúde, em moradia, etc… e ela me disse `não, nada disso, o que você nos deu foi outra coisa: dignidade´… uma menina! Eu fiquei impressionado, e comovido… e comentei com Fernando: “olha, seria bom fazer um livro com o que o povo pensa do que fizemos no governo, o que pensam os funcionários, os comerciantes, os empresários, os trabalhadores, os camponeses, os professores… perguntando a eles, reunindo as respostas… Fazer um livro não com o que eu posso contar da minha Presidência, mas sim com o que o próprio povo diz… esse era o projeto… (ele ri) mas o Fernando se lançou em uma missão titânica porque quer ser exaustivo… só escreveu sobre o período 1980-2002, ou seja, antes de eu chegar à Presidência… e já é um tom colossal… porque nesse período de 22 anos ocorreram tantas cosas… fundamos a CUT (Central Única dos Trabalhadores), o PT, o MST, lançamos as campanhas pelas Diretas já!, e a favor da Constituinte… transformamos o país… o PT se tornou o maior partido do Brasil… e devo lembrar que ainda hoje, neste país, só existe um partido verdadeiramente organizado, que é o nosso, o PT”.
Perguntamos sobre seu estado de ânimo. Ele lembra que “hoje cumpri 522 dias desde a minha entrada nesta prisão, naquele sábado 7 de abril de 2018… e exatamente ontem, se cumpriu um ano do dia em que tive que tomar a decisão mais difícil, escrever a carta na que renunciei a ser candidato às eleições presidenciais… estava nesta cela, sozinho, e com uma dúvida, porque sentia que estava cedendo aos desejos dos meus adversários… impedir minha candidatura… foi um momento duro, dos mais duros da minha vida… e eu aqui, completamente só… e pensava `isso é como dar à luz com muita dor e sem ninguém que segure a sua mão´”.
Ele abre o livro “Cem horas com Fidel” e me diz: “Conheci o Fidel em 1985, exatamente em meados de julho de 1985… estava em Havana pela primeira vez, participando da Conferência Sindical dos Trabalhadores da América Latina e do Caribe sobre a Dívida Externa… eu já havia saído da CUT, já não era sindicalista, meu tempo estava todo dedicado a ser secretário-geral do PT e era candidato para as eleições legislativas do ano seguinte… mas não havia só sindicalistas nessa Conferência, porque Fidel também convidou intelectuais, professores, economistas e dirigentes políticos. Lembro que era mais ou menos às 17h, no Palácio do Congresso, Fidel presidia a sessão e aquilo estava muito monótono, então ele fez algo que me surpreendeu, porque não nos conhecíamos pessoalmente, e ele me mandou uma mensagem por um bilhetinho, perguntando se eu iria falar, e eu respondi que não, pois não estava previsto. Então, ele me enviou outro bilhete, quase dando uma ordem: você tem que falar, e será o último, vamos encerrar com você´… mas a CUT não queria de nenhuma forma que eu tomasse a palavra… então eu não sabia o que fazer… nisso, era já 19h, e da presidência da mesa, surpreendentemente, o Fidel anuncia que eu tenho a palavra… então me vi obrigado a toma-la, me levantei e fui à tribuna… e comecei a falar, sem tradução… fiz um longo discurso, e terminei dizendocompanheiro Fidel, quero dizer aos amigos e amigas aqui reunidos que os Estados Unidos tentam por todos os meios nos convencer de que são invencíveis, mas Cuba já os venceu, o Vietnã já os venceu, a Nicarágua já os venceu, e El Salvador também os vencerá… não temos que ter medo deles!´… houve fortes aplausos. Bom, termina a jornada e eu vou à casa onde estava hospedado, no Laguito… e quando chego, quem estava esperando na entradinha da casa? Fidel e Raúl! Os dois estavam lá sentados me aguardando… Fidel começou a perguntar onde eu havia aprendido a falar assim, e então eu contei sobre a minha vida… e assim foi como nos tornamos amigos para sempre”.
E Lula acrescenta: “devo dizer que Fidel sempre foi muito respeitador, nunca me deu um conselho que não fosse realista. Nunca me pediu para fazer loucuras. Uma pessoa prudente, moderada, um sábio, um gênio”.
Lula então perguntou a Pérez Esquivel, que preside o comitê internacional a favor do Prêmio Nobel da Paz ao ex-presidente brasileiro, como avança esse projeto. Adolfo dá os detalhes do grande movimento mundial de apoio a essa candidatura, e diz que o premio costuma der anunciado, em geral, no começo de outubro, ou seja, dentro de menos de um mês… e segundo suas fontes este ano será para uma figura da América Latina, e mostrou que está otimista.
Lula insiste em que é decisivo o apoio da Alta Comissária para os Direitos Humanos das Nações Unidas, a chilena Michelle Bachelet. Ele diz que essa é a “batalha mais importante”. Mas não a vê fácil. Então, nos conta uma anedota: “há alguns anos, quando eu já tinha saído da Presidência, me propuseram ao Prêmio Nobel da Paz. Um dia, me encontrei com a rainha consorte da Suécia, Silvia, esposa do rei Carlos XVI Gustavo. Ela é filha de uma brasileira, Alice Soares de Toledo, então falamos mais à vontade. E ela me disse: `enquanto você for amigo do Chávez, não creio que isso possa avançar muito… se afaste do Chávez e terá o Prêmio Nobel da Paz´, assim são as coisas”.
Eu pergunto a ele o que acha destes primeiros oito meses de governo de Jair Bolsonaro. “O Bolsonaro está entregando o país”, responde ele. “Eu estou convencido de que tudo o que está ocorrendo está baseado na tomada da tomada da Petrobras pelos interesses estrangeiros… por causa da enorme jazida de petróleo do Pré-Sal, o maior do mundo, com reservas fabulosas, de qualidade altíssima, descoberto em 2006, em nossas águas territoriais, embora esteja em grandes profundidades, a mais de seis mil metros, sua riqueza é de tal dimensão que justifica tudo… poderia lembrar também que a reativação da Quarta Frota, por Washington, que patrulha toda a costa atlântica da América do Sul, foi decidida quando o Pré-Sal foi descoberto. Por isso, nós, junto com a Argentina, a Venezuela, o Uruguai, o Equador, a Bolívia, etc… criamos o Conselho de Segurança da Unasul (União das Nações Sul-Americanas)… é um elemento determinante”.
“O Brasil – prossegue Lula – sempre foi um país dominado pelas elites, voluntariamente submetidas pelos Estados Unidos… só quando nós chegamos ao poder, em 2003, o Brasil começou a ser protagonista… entramos no G20, fundamos os BRICS (com Rússia, Índia, China e África do Sul), organizamos os Jogos Olímpicos em um país emergente pela primeira vez, e também uma Copa do Mundo de futebol… nunca houve tanta integração regional na América Latina… por exemplo, nosso comércio com outros países do Mercosul era de 15 bilhões de dólares, e quando terminei meus dois mandatos esse número saltou para 50 bilhões… até com a Argentina, quando cheguei nós tínhamos cerca de 7 bilhões em comércio, e passamos a 35 bilhões… os Estados Unidos não querem que sejamos protagonistas, que tenhamos soberania econômica, financeira, política, industrial e menos ainda militar. Não querem, por exemplo, que o Brasil assine um acordo com a França para um submarino nuclear. Nós avançamos nesse sentido com o presidente François Hollande, e o Bolsonaro reverteu a decisão. Até essa miserável declaração, tão espantosamente antifeminista, contra a Brigitte, esposa do presidente Emmanuel Macron, é preciso que situemos nesse contexto”.
O tempo da visita está terminando. Falamos de muitos dos seus amigos e amigas que exercem ainda mais responsabilidades políticas de muito alto nível em diversos países ou em organizações internacionais. Nos pede que transmitamos a todas e todos seu abraço mais afetuoso, e agradece sua solidariedade.
Insiste em contar o seguinte: “digam que estou bem, como vocês podem constatar. Sou consciente de porque estou preso. Sei muito bem. Não ignoro a quantidade de processos que há contra mim. Não creio que eles me soltem. Se o STF me declara inocente, já há outros preparados para que eu nunca saia daqui. Não me querem livre para não correr nenhum risco… isso não me dá medo… estou preparado para ter paciência… e dentro do que cabe, tenho sorte… se isto fosse há cem anos, já teriam me enforcado, ou fuzilado, ou esquartejado… para dar o exemplo do que se faz com qualquer forma de rebeldia… tenho consciência do meu papel… não vou abdicar… sei da minha responsabilidade com o povo brasileiro… estou preso, mas não me queixo, me sinto mais livre que milhões de brasileiros que não comem, não trabalham e não têm casa… parece que estão livres, mas estão presos em sua condição social, da qual não podem fugir…
Prefiro estar aqui sendo inocente, que fora sendo um culpado… a todos os que acreditam na minha inocência, eu digo: não me defendam só com a fé cega… leiam as revelações do The Intercept. Lá está tudo, argumentado, provado, demonstrado. Defendam-me com argumentos… elaborem uma narrativa, um relato… quem não elabora uma narrativa, no mundo de hoje, perde a guerra.
Estou convencido de que os juízes e os procuradores que montaram a manipulação para me prender não dormem com a tranquilidade que eu tenho. São eles os não têm a consciência tranquila. Eu sou inocente. Mas não vou ficar de braços cruzados. O que vale é a luta”.
Edição: Nodal | Tradução: Victor Farinelli - Créditos Brasil de Fato, publicado originalmente em - https://www.brasildefato.com.br/2019/09/16/cem-minutos-na-prisao-com-lula-por-ignacio-ramonet/

Os erros no texto constam também na publicação original

26 de jul. de 2019

Hacker diz que Manuela D'Ávila intermediou contato de hacker com Glenn Greenwald

Manuela D'Ávila divulgou nota em rede social nesta sexta-feira (26) — Foto: Nelson Almeida, AFP
Foto: Nelson Almeida, AFP



Hacker diz que Manuela D'Ávila intermediou contato com Glenn Greenwald; ex-deputada confirma.

Em depoimento à PF, Walter Delgatti disse que conseguiu contato com jornalista do Intercept após invadir o celular de Manuela. Em nota, Manuela diz que invasor inicialmente se identificou como alguém de sua lista de contatos 'para, a seguir, afirmar que não era quem eu supunha que fosse, mas que era alguém que tinha obtido provas de graves atos ilícitos praticados por autoridades brasileiras'. 

Leia matéria completa: https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/07/26/hacker-diz-que-manuela-davila-intermeditou-contato-com-glenn-greenwald-ex-candidata-confirma.ghtml#G1-POST-TOP-1H-item-sel-3,top,e4d65370-c944-4153-9ef5-841ad773a5be

17 de jul. de 2019

#VazaJato - Mais um ministro do STF aparece na trama

247
Mais um ministro do STF cai na #VazaJato: desta vez, é Luis Roberto Barroso - 

O jornalista Reinaldo Azevedo, em 16/07,  divulgou novos diálogos entre o ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol. As novas mensagens envolvem mais um ministro do STF: Luis Roberto Barroso, que convidou os dois para um jantar em sua casa. Saiba mais: https://capitaofernandopolitica.blogspot.com/2019/07/politica-mais-um-ministro-do-stf-cai-na.html

15 de jul. de 2019

POLÍTICA - Lava Jato: conduta suspeita enseja nulidade, diz procuradoria do MPF

Marcelo Carmargo/Ag Brasil
POLÍTICA - 
Lava Jato: conduta suspeita enseja nulidade, diz procuradoria do MPF. 
Órgão emite primeira nota do Ministério Público Federal em tom de crítica à condução da Operação Lava Jato. 

5 de jul. de 2019

Novos diálogos revelam que Moro orientava ilegalmente ações da Lava Jato

Créditos VEJA
Novos diálogos revelam que o ex-juiz Sérgio Moro orientava ilegalmente ações da Lava Jato.
Mensagens inéditas analisadas pela parceria entre VEJA e o site The Intercept Brasil mostram que ele cometeu, sim, irregularidades enquanto atuava como juiz. 

Aha uhu o Fachin é nosso, disse Deltan após encontro com o ministro do STF Novas mensagens obtidas pelo site Intercept Brasil foram divulgadas pela revista Veja

O procurador Deltan Dallagnol e o então juiz Sergio Moro
Foto: Jorge Araújo/FolhaPress
Aha uhu o Fachin é nosso, disse Deltan após encontro com o ministro do STF Novas mensagens obtidas pelo site Intercept Brasil foram divulgadas pela revista Veja.

4 de jul. de 2019

Entrevista com Lula - "Lula: ‘O Moro está se transformando em um boneco de barro’" - Sul 21

Lula: ‘O Moro está se transformando em um boneco de barro’

Entrevista com o ex-presidente Lula, na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Fotos: Guilherme Santos/Sul21 
Marco Weissheimer
Preso há mais de um ano e quatro meses nas dependências da Superintendência da Policia Federal, em Curitiba, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva procura manter-se atualizado sobre a conjuntura política do país e do mundo por meio dos canais que são a ele autorizados. Sem acesso a internet, pode acessar canais de TV aberta e receber informações por meio de arquivos em pen drives, papeis impressos ou relatos de seus advogados, assessores, amigos e companheiros de partido. Com essas limitações e a privação de liberdade, a leitura e as conversas tornaram-se algumas de suas práticas mais cultivadas.
Na manhã desta quarta-feira (3), Lula recebeu o Sul21 para uma entrevista exclusiva. O ex-presidente chegou escoltado por um agente da Polícia Federal à sala reservada para as entrevistas no prédio da Polícia Federal. O protocolo do encontro previa apenas um cumprimento rápido do entrevistado com os entrevistadores. A conversa iniciou logo e se estendeu por cerca de uma hora e quarenta e cinco minutos. No início da entrevista, Lula estava mais interessado em falar sobre os fatos políticos mais recentes da vida política nacional, em especial o caso da Vaza Jato, com a revelação de mensagens envolvendo o ministro Sérgio Moro e procuradores da Lava Jato. Publicamos a seguir a primeira parte dessa conversa, onde Lula também fala sobre aquilo que considera sérias ameaças à soberania que pairam sobre o país. Nos próximos dias, publicaremos o conteúdo completo dessa conversa.
A Vaza Jato foi um dos temas abordados na conversa. Fotos: Guilherme Santos/Sul21
Sul21: Gostaria de começar por um dos fatos mais recentes da conjuntura que é a chamada Vaza Jato, com a divulgação de mensagens envolvendo o então juiz Sergio Moro, o procurador Deltan Dallagnol e outros procuradores ligados à Operação Lava Jato. Hoje ministro da Justiça, Sergio Moro esteve ontem (2) na Câmara dos Deputados falando sobre o assunto. Ao mesmo tempo que nega a veracidade dos conteúdos divulgados, ele diz que, mesmo que fossem verdadeiros, não trariam nada demais. Nesta audiência, Moro não reconheceu, mas também não negou, que o jornalista Glenn Greenwald esteja sendo investigado pela Polícia Federal pela publicação das mensagens no The Intercept. Como o senhor, que também foi alvo de vazamento de comunicações, está avaliando esse caso e o significado do que foi divulgado até agora?
Lula: Estamos vivendo um momento sui generis no Brasil. O Moro está se transformando em um boneco de barro. Ele vai se desmilinguir. Como Moro e a força tarefa da Lava Jato, envolvendo procuradores e delegados da Polícia Federal, inventaram uma grande mentira para tentar me colocar aqui onde estou, eles agora têm que passar a vida inteira contando dezenas e dezenas de mentiras para tentar justificar o que eles fizeram, tudo isso com muita sustentação da Globo. A Globo faz um esforço incomensurável para manter a ideia de que os vazamentos são falsos, são obra de hackers, etc. Mas ela não se preocupou com isso quando divulgava vazamentos ilícitos que recebia do Dallagnol e do Moro. Minha família que o diga.
Agora, eles tentam passar para a sociedade a ideia de que, quem está criticando o Moro, é contra a investigação de corrupção. Temos a oportunidade de colocar esse debate em dia. Em primeiro lugar, um juiz não combate a corrupção. Quem combate a corrupção é a polícia. O Ministério Público acusa e o juiz apenas julga. E o juiz não deve julgar com base na cara do réu, mas sim com as informações que ele tem nos autos do processo, avaliando se são verdadeiras ou mentirosas. Eu não estou falando do conjunto da Lava Jato porque se alguém roubou tem que estar preso. Foi para isso que o PT, tanto no meu governo quanto no governo da Dilma, criou todos os mecanismos jurídicos para colocar ladrão na cadeia.
Eles agora tentam salvaguardar o comportamento do Moro e da força tarefa acusando os que são contra eles de serem favoráveis à corrupção. O dado concreto aqui é que estou falando do meu caso e no meu caso eu posso olhar para você como se estivesse falando para o Moro e dizer “Moro, você é mentiroso. Dallagnol, você é mentiroso e os delegados que fizeram o inquérito são mentirosos. Eu sei que é difícil e duro falar isso. É uma briga minha, um cidadão de 73 anos de idade, contra o aparato do Estado, contra a Receita Federal, Polícia Federal, Ministério Público e uma parte do Poder Judiciário. Somente quem sabe que eu estou dizendo a verdade é o Moro, o Dallagnol, o delegado que fez o inquérito e Deus.
Sul21Quais seriam essas mentiras exatamente?
Lula: No meu caso, todas. Eles sabem que eu não sou dono do apartamento, eles sabem as mentiras que contaram para trazer o caso para Curitiba, porque ele deveria ter sido julgado em São Paulo, eles sabem que eu não sou dono do sítio de Atibaia. Acontece, meu caro, que não era possível dar o golpe na Dilma e deixar o Lula ser candidato a presidente em 2018. Era preciso tirar o Lula da jogada. Para fazer isso, era preciso criar um empecilho jurídico e aí inventaram essa quantidade enorme de mentiras a meu respeito.
O Moro deveria mostrar que é um homem decente entregando o celular dele à Polícia Federal que é subordinada a ele. O Dallagnol poderia entregar o celular dele. Enquanto está sob suspeita, o Moro poderia pedir licença do Ministério da Justiça e não ficar se escondendo atrás do cargo. Se ele mentiu, precisa ter coragem de assumir o que fez. A Lava Jato é uma operação que se transformou em um partido político. A Globo se apoderou da Lava Jato em um pacto que ela fez com Moro e Dallagnol. Todas as mentiras que eles contavam eram transformadas em verdade no Jornal Nacional. Eu digo isso porque sou a grande vítima disso. Deve ter mais de 100 horas do Jornal Nacional contra o Lula e deve ter mais de 100 horas favorável ao Moro. Ainda agora vejo o esforço da Globo tentando tornar o Glenn um bandido para manter o Moro, que agora esquece tudo. Quando a gente ia prestar depoimento, ele fazia perguntas sobre fatos de quinze, vinte anos atrás. Só faltava perguntar: “quando você estava no útero da sua mãe, você se mexia para a direita ou para a esquerda?”. Ele agora esquece tudo, não sabe mais o que falou no telefone. Ele sabe da conversa dele com o Dallagnol e da conversa do Dallagnol com os procuradores. Só falta coragem para assumir.
“Seu Moro tem que ter coragem de dizer a verdade”, afirma Lula. Fotos: Guilherme Santos/Sul21
O seu Moro tem que ter a coragem de dizer a verdade. Ele, um dia, nem que seja no dia da extrema-unção, vai ter que pedir desculpas à sociedade brasileira pela mentira desvairada que ele contou ao meu respeito. É só isso que eu quero. Quem roubou neste país que vá pra cadeia, seja pequeno, grande ou médio. Mas quem é inocente tem que ser absolvido. A única coisa que eu quero é que alguma instância do Poder Judiciário leia o mérito do meu processo e tome uma decisão. Depois da mentira do Moro veio a mentira do TRF4. Eles nem leram o meu processo. O presidente do TRF4 não tinha nem lido e disse que a sentença do Moro era excepcional. Eu fui julgado a toque de caixa, antes que prescrevesse, porque o objetivo era não permitir que eu fosse candidato em 2018. Não é Possível, em pleno século 21, alguém ser vítima do Poder Judiciário como estou sendo. Eu não creio que todo poder Judiciário é assim, mas essa parte se notabilizou por mentir a meu respeito.
Sul21: Em uma das conversas divulgadas, envolvendo Moro e Dallagnol, é feita uma referência de que seria preciso ouvir os americanos para realizar uma determinada ação, o que trouxe de novo à baila o tema de uma possível interferência externa, em especial dos Estados Unidos, na Lava Jato. Desde o governo Temer e agora com o governo Bolsonaro, temos visto o desmonte de alguns setores estratégicos da economia nacional, como a desativação do pólo naval, a venda da Embraer para a Boeing ou o acordo com os Estados Unidos envolvendo a base de Alcântara. Como o senhor vê essa possível articulação externa da Lava Jato?
Lula: Durante muito tempo na minha vida eu disse que não era adepto de teorias da conspiração. Hoje, por tudo o que tenho acompanhado pela imprensa nacional e internacional e pelas informações que recebo, pela pressa do pagamento da Petrobras aos acionistas americanos em detrimento dos acionistas brasileiros, pelos interesses que o pré-sal despertou nos Estados Unidos, mudei de opinião. É importante lembrar que, quando nós descobrimos o pré-sal, os americanos retomaram o funcionamento da quarta frota que tinha sido desativada depois da Segunda Guerra Mundial. É importante lembrar também que foram roubados segredos da Petrobras, de um contêiner, e até hoje não se identificou quem fez isso. Quem pagou o pato foram os coitados dos vigias da Petrobras.
Hoje, estou certo de que há interesses do Departamento de Justiça dos Estados Unidos em desmontar esse país. Não é possível acreditar que tudo aconteceu a partir do nada. Estou convencido que o pré-sal está no meio disso. Estou convencido que os americanos nunca aceitaram a ideia da lei da partilha que nós fizemos para que o petróleo fosse nosso, nunca aceitaram a ideia de que o povo brasileiro voltasse a ser dono do petróleo e que a Petrobras tivesse 30% de tudo. Também nunca aceitaram a nossa ideia de criar um fundo social para garantir ao povo brasileiro o direito de ter acesso à ciência, tecnologia, educação e saúde.
Em nome de combater a corrupção, destruíram as empresas de engenharia brasileiras. Lembro, quando eu era presidente, quantas vezes os governantes queriam entrar no Brasil para competir com as nossas empresas. Ao mesmo tempo, você fica assistindo a uma política de governo que tem como objetivo não produzir nada novo, mas só vender o que tem. Se o Exército brasileiro não tomar cuidado, até os terrenos onde eles fazem treinamento serão vendidos e eles terão que treinar só em vídeo games. A ideia deles é vender tudo. Essa é a única razão que explica o Guedes na Fazenda. O que está acontecendo no Brasil é um desmonte generalizado sem perspectiva de geração de emprego, de aumento de renda ou de manter a seguridade social dando ao trabalhador brasileiro a tranqüilidade na velhice. É o Brasil voltando ao século dezoito, voltando a ser colônia. Embora você não tenha a monarquia portuguesa mandando, você tem o imperador Trump dando ordens e o nosso presidente batendo continência.
Isso tudo assusta. O que aconteceu com a Embraer e a Boeing não me agradou. A Embraer era uma empresa muito respeitada no mundo, que disputava com a Bombardier a posição de terceira empresa de aviação do mundo. Nós éramos altamente competitivos em aviões de porte médio. É lamentável nós ficarmos sem uma empresa do porte da Embraer. Daqui a pouco nem o caça C-90, que estava sendo produzido pela Embraer, vai mais ser brasileiro. Tudo isso significa abrir mão da soberania do país. A soberania de um país é coisa sagrada, da qual nenhum país sério abre mão. Os americanos não abrem mão, a Rússia não abre mão, a China não abre mão, mas o Brasil está abrindo. Abrir mão da soberania significar abrir mão do controle de suas fronteiras, da ciência e da tecnologia, do controle da nossa floresta, da nossa fauna, da biodiversidade, da água, das riquezas do solo e do subsolo. Significa abrir mão, inclusive, da proteção de uma nação de 210 milhões de habitantes.
A soberania nacional também entrou na pauta da entrevista com o ex-presidente. Fotos: Guilherme Santos/Sul21 
Sul21: Neste contexto da posição do Brasil no cenário internacional, o senhor já tem uma avaliação sobre o recém anunciado acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul?
Lula: Eu lembro do tempo que eu era presidente qual era a ideia da União Europeia. Não sei se isso se manteve. A União Europeia queria fazer um acordo desde que o Brasil e o Mercosul se abrissem para todos os produtos de alto valor tecnológico e de alto valor agregado, para que eles entrassem aqui sem pagar nada. Isso significava quebrar a nossa indústria, significava impedir que países como a Argentina pudessem se reindustrializar. Em troca, eles prometiam importar produtos agrícolas brasileiros. Não conheço os detalhes do acordo e não sei o que está escrito lá, mas a gente não tem muito o que exportar pra lá. E o que temos para exportar não será fácil os franceses aceitarem. Não pense que os franceses vão aceitar comprar frango ou porco do Brasil. Eles não queriam nem comprar óleo industrializado brasileiro, preferindo comprar soja in natura.
A impressão que tenho é que a União Europeia está tirando proveito de um momento de fragilidade eleitoral do presidente da Argentina. Macri está vivendo um momento difícil e, quem sabe, a venda ufanista de um possível acordo que ainda vai ser discutido no parlamento de cada país, possa facilitar a sua eleição. O mesmo raciocínio vale para a visita do Trump ao presidente da Coréia do Norte, que é uma propaganda eminentemente eleitoral. Trump não tinha o que fazer lá. Ele foi tirar foto pra campanha de 2020 que já começou.
Sul21Neste tema da soberania nacional e da defesa dos interesses econômicos nacionais chama a atenção a posição das Forças Armadas que vêm apoiando as medidas de desmonte e venda de patrimônio que foram citadas aqui. Mesmo no período da ditadura, os militares adotaram algumas posturas de enfrentamento aos interesses dos Estados Unidos, como foi o caso do acordo nuclear com a Alemanha. Na sua opinião, houve uma mudança drástica do pensamento dos militares brasileiros sobre o tema da soberania nacional?
Lula: Os militares brasileiros, no período da ditadura, não desmontaram a economia nacional. Pelo contrario, fortaleceram o processo de industrialização no país, criaram programas como o do etanol em função da crise do petróleo. Não sei se é uma posição do conjunto das Forças Armadas, mas o que estamos vendo agora, por meio da posição de alguns militares que falam pelo governo Bolsonaro, é um total desinteresse pela soberania nacional e uma disposição para vender tudo. Eu disse em outra entrevista que um militar que não defenda a soberania nacional e não é nacionalista nem deveria chegar a general porque a obrigação das forças armadas é defender os interesses do país e de proteger o povo contra inimigos externos. A entrada totalmente desregulamentada do capital estrangeiro para explorar as riquezas brasileiras significa abrir mão da soberania do país.
Embora o Bolsonaro bata continência para o Trump, ele está na contramão dele. O Trump é um direitista que utilizou como discurso o fortalecimento do Estado nacional. Resolveu comprar briga com a China, dizendo que era preciso gerar emprego nos Estados Unidos. O Bolsonaro faz exatamente o contrário. Ele está desmontando o Brasil, desmontando a possibilidade de gerar emprego neste país a troco não sei do quê. O que está acontecendo no Brasil é muito estranho. O país está passando por uma metamorfose doentia, onde a questão social não aparece em lugar nenhum. Os médicos cubanos foram embora e disseram que iriam colocar médicos no lugar deles. Já faz seis meses que estão governando e há muitas cidades pelo país que não têm um médico. A sociedade brasileira precisa acordar. O Brasil precisa ser tratado como uma propriedade de 210 milhões de pessoas que têm o direito de viver dignamente.
Para Lula, Bolsonaro faz o contrário de Trump no fortalecimento do Estado. Fotos: Guilherme Santos/Sul21 
Fotos: Guilherme Santos/Sul21 
Fotos: Guilherme Santos/Sul21 
Fotos: Guilherme Santos/Sul21


Créditos Sul 21, publicado originalmente em: https://www.sul21.com.br/ultimas-noticias/politica/2019/07/lula-o-moro-esta-se-transformando-em-um-boneco-de-barro/

18 de jun. de 2019

ORIENTAÇÃO POLÍTICA DA CAMPANHA LULA LIVRE PÓS-ESCÂNDALO DA LAVA-JATO

ORIENTAÇÃO POLÍTICA DA CAMPANHA LULA LIVRE PÓS-ESCÂNDALO DA LAVA-JATO


A Comissão Executiva do Comitê Nacional Lula Livre se reuniu nesta segunda-feira (17/6) e avaliou nova situação da campanha pela liberdade de Lula no quadro das manifestações de massa em defesa da Educação, da Greve Geral do 14 de junho e da divulgação das conversas entre o ex-juiz Sérgio Moro e procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato, que desrespeitam a lei, comprovam a perseguição judicial contra Lula e colocam em debate a anulação da sentença.

O desgaste do ex-juiz e ministro Sérgio Moro e as turbulências do governo Bolsonaro estão, no entanto, longe de indicar uma vitória das forças populares nas disputas que temos no curto prazo. Mesmo com o crescimento na sociedade da compreensão de que a prisão do Lula é uma injustiça, um dos pontos de unidade da coalizão que deu o golpe e elegeu Bolsonaro - notadamente no Judiciário e nas Forças Armadas - é manter a mais expressiva liderança das forças populares encarcerada.


O acúmulo de forças que alcançamos na campanha Lula Livre mostra que estamos no caminho certo definido pela Plenária Nacional de março: avançar em nossa organização nacional, estadual e municipal, amplificar o trabalho de base e intensificar a disputa da sociedade.


A resistência aos retrocessos promovidos pelo governo Bolsonaro - com a política econômica de arrocho fiscal que aumenta o desemprego e a pobreza, os cortes de políticas públicas e de investimentos, a perseguição à educação nacional, à ciência e conhecimento, a destruição da aposentadoria com a Reforma da Previdência e desmonte da soberania nacional - tem expressado nas suas manifestações a bandeira do Lula Livre. 

Portanto, neste momento, precisamos aprofundar esse caminho estratégico em algumas direções bem definidas neste final de semestre:


1. Concentrar esforços na desconstrução da perseguição judicial a Lula com foco nas denúncias contra seu líder mais popular, o ministro Sérgio Moro, amplificando junto à população e às organizações da sociedade civil as provas de partidarização e ilegalidades da Lava Jato apresentadas nos diálogos de Moro com outros operadores do direito divulgados pelo The Intercept Brasil.

2. Aumentar a cobrança de providências do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal para apurar as ilegalidades cometidas na Operação Lava Jato, em particular as iniciativas que possam levar à anulação das condenações sem provas de Lula e de sua liberdade imediata.

3. Apoiar os movimentos de massa na oposição aos projetos de reforma da Previdência, privatizações e corte de investimentos das políticas públicas do governo e dos retrocessos nos direitos humanos e democráticos, que incidem sobre a correlação de forças e criar melhores condições para o Lula Livre.

4. Manter e ampliar nossa comunicação com o povo brasileiro, por meio das iniciativas dos comitês populares e digitais, bem como ampliar para outros segmentos sociais e entidades democráticas a campanha Lula Livre.

Assim, reforçamos o calendários de atividades a partir das seguintes orientações:

1. Produzimos um tablóide nacional explicando as notícias do The Intercept Brasil sobre as ilegalidades da Lava Jato contra Lula para imediata impressão nos Estados e Municípios onde estamos organizados.

2. Esse material será a base para o trabalho no Dia Nacional de Agitação por Lula Livre - 24 de Junho - e a atividade mensal do Mutirão Lula Livre - 29 e 30 de junho.

3. O Dia Nacional de Agitação foi convocado para o dia 24, véspera de Sessão Deliberativa da Segunda Turma do STF que poderá decidir sobre Habeas Corpus requerido pela defesa de Lula. Esse é uma oportunidade de fazer agitação popular e amplificar as denúncias de suspeição de Moro, que amparam essa petição. O alinhamento das altas esferas do Judiciário com as sentenças da Lava Jato não permite que falsas expectativas gerem frustrações para momentos seguintes de nossa luta, mas alimentam a nossa indignação e disposição para denunciar a prisão injusta do Lula.

4. O Mutirão Lula Livre de 29 e 30 de junho terá o mesmo tablóide como base para o diálogo com a população, de olho no olho com pessoas comuns, por meio de atividades descentralizadas e auto-gestionadas pelos comitês populares e digitais e das organizações que fazem parte da campanha. O Cordel Lula Livre também terá seu espaço nas atividades do Mutirão, em particular nas regiões de maior inserção nas festas juninas deste fim de semana.

5. Será lançado na próxima semana uma campanha de abaixo-assinado pela anulação do processo do Lula da campanha, que será mais um instrumento para o trabalho popular dos comitês, movimentos, sindicatos, partidos e organizações no diálogo com a população. Nos próximos dias, enviaremos uma orientação específica sobre o abaixo-assinado.

Baixe o jornal e as capas para redes sociais do Dia Nacional de Agitação por Lula Livre através do link:


Para receber informes pelo whatsapp da campanha, envie Lula Livre para 11 96333 9419


Não à Reforma da Previdência!


Não aos ataques à educação brasileira!


Lula Livre, venceremos!


Vamos à luta!