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19 de ago. de 2021

Repercutimos a edição de 19/08/21 do Ex-Blog do César Maia - AFEGANISTÃO VIRA ALVO DE INFLUÊNCIA DE RÚSSIA E CHINA! (O Estado de S. Paulo, 15)

Repercutimos a edição de 19/08/21 do Ex-Blog do César Maia - AFEGANISTÃO VIRA ALVO DE INFLUÊNCIA DE RÚSSIA E CHINA!  (O Estado de S. Paulo, 15) 

AFEGANISTÃO VIRA ALVO DE INFLUÊNCIA DE RÚSSIA E CHINA!

(O Estado de S. Paulo, 15) A saída das tropas dos Estados Unidos e o avanço fulminante do Taleban no Afeganistão abriram caminho para a disputa de Rússia e China por poder e influência na Ásia Central. A milícia tomou ontem Mazar-e-Sharif, a quarta maior cidade de país, e está a 11 km da capital, Cabul.

A retirada dos Estados Unidos do Afeganistão e o avanço fulminante do Taleban para controlar o país abriram o caminho para uma disputa entre China e Rússia por influência na Ásia Central. Enquanto Pequim aposta no seu peso econômico, Moscou usa a cooperação militar com as ex-repúblicas soviéticas para projetar seu poder na região.

Especialistas indicam duas razões principais para a entrada de chineses e russos no cenário geopolítico afegão. A primeira é o vácuo de poder deixado pelos americanos. Moscou viu nele uma oportunidade de projetar mais influência na Ásia Central, já que o Afeganistão é cercado por ex-repúblicas soviéticas, como Tajiquistão, Usbequistão e Turcomenistão.

Por ser um ponto de passagem entre Oriente Médio, sul da Ásia e Ásia Central, o Afeganistão é também um ativo estratégico para a China e sua Nova Rota da Seda, a rede de estradas, pontes, ferrovias e portos patrocinada pelo governo chinês em vários países na Ásia, Oriente Médio e África.

Além disso, o ressurgimento do Taleban preocupa chineses e russos, que têm um histórico de repressão a minorias islâmicas em seu próprio território. Mesmo as antigas repúblicas soviéticas estão na gênese de muitos movimentos radicais islâmicos que influenciaram o Taleban e a Al-Qaeda, como o MIU (Movimento Islâmico do Usbequistão).

“A crise no Afeganistão preocupa muito os países da Ásia Central, que há muito tempo têm problemas com militantes islâmicos que várias vezes foram treinados pelo Taleban”, explica Vanda Felbab-Brown, pesquisadora do Brookings Institution. “A Rússia conseguiu do Taleban o compromisso de impedir esses militantes de agirem na região e tem influência em termos financeiros e políticos entre líderes políticos e tribais no Afeganistão para assegurar seus interesses.”

Na semana passada, soldados russos fizeram exercícios conjuntos com militares de Tajiquistão e Usbequistão e anunciaram programas de parceria com as duas ex-repúblicas. Moscou tem se aproximado do Taleban desde 2018, na expectativa de o grupo impedir a infiltração de jihadistas em áreas de minoria islâmica na Rússia.

“O Kremlin age para garantir a segurança de seus aliados na Ásia Central”, lembrou ao Financial Times o cientista político russo Arkadi Dubnov, especialista na região. “É uma questão de imagem. Putin tem de convencer seus aliados que só ele pode garantir sua segurança.”

A China, por sua vez, tem interesses econômicos e estratégicos no Afeganistão, e ambos foram facilitados pela saída de cena dos americanos. Dois projetos de infraestrutura da Nova Rota da Seda passam pelo Afeganistão: uma estrada que ligará Cabul a Peshawar, no Paquistão, e outra rodovia que conectará a Província de Xinjiang, de maioria muçulmana, ao Afeganistão e ao Paquistão.

“Quando essas obras forem concluídas, Pequim poderá alcançar sua meta de aumentar o comércio e a extração de recursos naturais no Afeganistão”, afirma Derek Grossman, da consultoria Rand. “Estima-se que o país tenha reservas imensas de metais raros, cruciais para a indústria de ponta chinesa.”

Os interesses chineses e russos na Ásia Central, no entanto, não coincidem e podem provocar rivalidades no futuro. “A Rússia tem cumprido um papel de oferecer segurança a esses países e os define como área de influência”, acrescenta Vanda Felbab-Brown. “Já a China tem feito ofensivas diplomáticas e econômicas na região, o que Moscou vê como contrário a seus interesses.”


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4 de ago. de 2021

Ex-blog do Cesar Maia - edição 04/08/21

 

O MUNDO ESTÁ NOS LEMBRANDO QUE A DEMOCRACIA É DIFÍCIL!

(Fareed Zakaria - O Estado de S. Paulo, 02) A notícia desta semana de que a democracia está em perigo na Tunísia – o único caso de sucesso da Primavera Árabe – chega apenas três semanas depois de sabermos que o presidente do Haiti foi assassinado. Enquanto isso, no Afeganistão, o governo parece incapaz de estabelecer autoridade em todo o país. Isso me fez refletir a respeito de uma das questões fundamentais da política: por que é tão difícil construir e manter a democracia liberal?

O melhor trabalho recente sobre o tema vem de uma notável dupla de estudiosos, Daron Acemoglu e James A. Robinson. Em seu último livro, The Narrow Corridor (O estreito corredor, em tradução livre), eles responderam a essa pergunta com grande perspicácia. Em todas as sociedades, eles observam, o primeiro passo é simplesmente alcançar algum grau de ordem e estabilidade. A história está cheia de lugares onde gangues, senhores da guerra e tribos governam, e o Estado nunca é capaz de consolidar o poder e governar de verdade. Esse foi o passado do Afeganistão e pode ser o seu futuro.

Se a ordem política é rara, a ordem política liberal é ainda mais rara. A democracia liberal é a forma perfeita de governo. Precisa de um Estado que seja forte o suficiente para governar de verdade, mas não tão forte a ponto de destruir as liberdades e os direitos de seu povo. Os autores chamam isso de “o Leviatã acorrentado”. (Thomas Hobbes usou o monstro bíblico Leviatã para descrever um Estado poderoso. Chegar à democracia liberal exige que as sociedades atravessem um estreito corredor, que permita ao Estado estabelecer poder enquanto permite o desenvolvimento de uma sociedade civil que se afirma e luta por direitos. Juntos, eles criam o delicado equilíbrio entre estabilidade e liberdade. Os países do Ocidente tiveram sucesso porque conseguiram construir tanto Estados como sociedades fortes.

No Afeganistão, apesar de duas décadas de esforços, o Estado tem falhado em conquistar o controle de grande parte do país, criando o que os autores chamam de “Leviatã ausente”. No Egito, o Estado é muito forte. Mas após um breve flerte com a democracia depois da Primavera Árabe, o país retrocedeu para a ditadura. Outras partes do mundo têm “Leviatãs de papel” – governos que exercem o poder principalmente para enriquecer uma pequena elite no topo. Pense na Nigéria ou na Venezuela.

Como o Ocidente alcançou a política perfeita? Os autores citam duas forças opostas. Primeiro, houve o legado do Império Romano, que ofereceu instituições, leis e tradições que tornaram possível criar a ordem. Em segundo lugar, as tribos do norte da Europa, enraizadas em assembleias igualitárias, tinham uma tradição de desafiar líderes poderosos. A competição entre nobres e reis – e mais tarde, eu acrescentaria, entre Igreja e Estado, e entre as centenas de estados, ducados e principados da Europa medieval – tudo isso, ajudou a liberdade individual a crescer e florescer.

Não é uma questão de superioridade cultural do Ocidente, mas, sim, de sua história incomum. Países em outras partes do mundo têm conseguido atingir um equilíbrio semelhante – Índia, Coréia do Sul, Costa Rica. Mas o corredor é estreito e entender isso nos ajuda a reconhecer a fragilidade da democracia liberal.

Fraquezas. É por isso que, no final da década de 1990, enquanto estávamos aplaudindo os países em todo o mundo que realizavam eleições, identifiquei o fenômeno da “democracia iliberal”, lugares onde líderes eleitos estavam sistematicamente abusando do poder, privando as pessoas de seus direitos e esvaziando a essência do governo liberal e constitucional. Desde então, infelizmente, essa lista tem ficado muito mais longa, incluindo países ocidentais como a Hungria, democracias estabelecidas como a Índia e alguns, como a Rússia, que simplesmente se transformaram em ditaduras.

Os países, incluindo os Estados Unidos, que atravessaram o estreito corredor e atingiram o equilíbrio certo entre Estado e sociedade são felizardos. Mas estamos em uma era de funcionamento fora do padrão das democracias, já que os movimentos populistas ameaçam as instituições e as normas políticas que há muito tempo são vistas como neutras. Vemos isso de forma mais perigosa na tentativa do Partido Republicano de politizar a contagem de votos nos estados que controla.

Os EUA continuam sendo uma democracia liberal, mas a audiência desta semana a respeito da insurreição do dia 6 de janeiro no Capitólio destacou a fragilidade das normas democráticas até mesmo aqui. Nossas instituições políticas são mais fortes que a maioria, mas estão sendo exauridas por uma sociedade que está profundamente dividida – tanto que mesmo os fatos básicos do que aconteceu em 6 de janeiro são vigorosamente contestados.

Os desordeiros, encorajados por políticos inescrupulosos, mostraram o dano que um grupo de cidadãos comuns poderia causar. Podemos reparar esse dano pressionando por proteções democráticas mais fortes e resistindo a esforços para subverter a vontade do povo.

Você provavelmente já deve ter ouvido a história de que, em 1787, alguém supostamente perguntou a Benjamin Franklin que tipo de governo a Convenção da Filadélfia havia decidido. “Uma república”, respondeu ele, “se você puder mantêla.” Os delegados poderiam ter projetado o melhor sistema do mundo, mas seu sucesso, em última análise, coube ao povo.

Isso parece um alerta ameaçador, mas também pode nos consolar – o poder de preservar a democracia está em nossas mãos.

2 de ago. de 2021

Repercutimos a Edição de 02/08/21 do Ex-Blog do Cesar Maia

 

A ARMADILHA LATINO-AMERICANA!

(Editorial - O Estado de S. Paulo, 30) Entre a desigualdade social e o baixo crescimento é difícil saber qual é o ovo e qual a galinha, mas ambos se reforçam mutuamente: países mais pobres são mais desiguais e vice-versa. A América Latina é a segunda região mais desigual do mundo e a mais desigual em sua faixa de renda. Não surpreende que o último relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) para a região se intitule Presos numa Armadilha.

Na década de 2000, o crescimento econômico, a redução da lacuna entre os salários dos empregos mais e menos qualificados e os programas de transferência de renda reduziram a desigualdade. Mas a tendência se estancou na década de 2010, que naturalmente se encerrou com uma onda de protestos em 2019, sufocados pela pandemia em 2020.

A pandemia pesou mais sobre quem já estava para trás. As perspectivas são mais tenebrosas ante o impacto desigual sobre os estudantes. A América Latina tem a menor taxa de mobilidade educativa intergeracional e a pandemia deve reforçar esse padrão ligado ao seu crescimento volátil e medíocre.

A percepção de injustiça é generalizada, não só na distribuição de renda, mas no acesso a serviços públicos e garantias legais. Para 3 em 4 latino-americanos, seus governos servem aos interesses de uns poucos poderosos. A maioria acha que a carga tributária deveria aumentar com a renda, mas o apoio é muito maior entre os 20% mais pobres e muito menor entre os 20% mais ricos – que concentram 56% da renda.

A concentração de poder político e econômico resulta em instituições débeis e políticas distorcidas, míopes e ineficazes. Os mercados latino-americanos tendem a ser dominados por um pequeno número de empresas gigantes, o que conduz a preços mais altos, incentivos para tecnologias ineficientes e baixo investimento em inovação.

O poder dos monopólios é em boa parte responsável pela baixa tributação corporativa e pela resistência a impostos progressivos. Já os sindicatos, quando não se aliam às grandes empresas para obter privilégios, com frequência trabalham para reduzir as desigualdades entre empregadores e empregados exclusivamente do seu segmento, exacerbando as disparidades nos demais.

Um fator que é perpetuado pela armadilha latino-americana é a violência. A região abriga 9% da população mundial, mas responde por 34% dos homicídios. A violência deteriora direitos e liberdades; prejudica resultados educativos e a saúde física e mental; reduz a participação no trabalho e na política; ameaça instituições democráticas; e obstrui a provisão de bens públicos aos vulneráveis.

Outro fator são os incentivos políticos a soluções demagógicas, de curto prazo, fragmentadas e ineficazes. A cisão da seguridade latino-americana entre trabalhadores formais (cobertos por programas contributivos, estabilidade de emprego e regulações de salário mínimo) e trabalhadores informais (servidos por programas não contributivos) é responsável pela baixa eficácia do sistema de proteção e impactos contraditórios sobre a desigualdade. O Pnud enfatiza a importância de uma agenda de proteções sociais universais, mais inclusivas e redistributivas, fiscalmente sustentáveis e favoráveis ao crescimento.

“Os lares pobres precisam de transferência de renda e seguridade social, não de um ou de outro.” Mas “ao invés de atuar ex ante para prevenir a pobreza, as políticas reagem apenas ex post para mitigá-las”. Em geral, as taxas de pobreza na região diminuem por programas de transferência de renda e não porque a renda dos pobres aumentou. Uma boa arquitetura social deveria não só assegurar o bem-estar das famílias vulneráveis, mas incentivar trabalhadores e empresas a melhorar sua produtividade.

À armadilha da desigualdade e do baixo crescimento subjazem engrenagens complexas, como a concentração de poder, a violência, e programas de proteção social e marcos regulatórios do mercado de trabalho ineficientes e distorcidos. Enquanto o enfrentamento a esse quadro não for igualmente complexo, os latino-americanos seguirão aprisionados em seu subdesenvolvimento.

21 de jul. de 2021

POLÍTICA: Repercutimos a edição de 21/07/21 do ex-Blog do César Maia

 Repercutimos a edição de 21/07/21 do ex-Blog do César Maia


SAIBA QUEM É PEDRO CASTILLO, NOVO PRESIDENTE DO PERU!

(Sylvia Colombo – Folha de SP, 20) Pedro Castillo, 51, presidente eleito do Peru, era conhecido no país até a eleição por dois episódios. O primeiro foi a liderança de uma greve nacional de professores, em 2017, à frente do Conare (Comitê Nacional de Reorientação), principal sindicato de professores rurais do Peru.

O segundo foi a rápida escalada até a primeira posição no primeiro turno da eleição peruana, por meio de uma agenda esquerdista, simpática ao chavismo, e de propostas que visam a refundação do país, entre as quais a criação de uma nova Constituição e o desmonte de instituições, como a Defensoria do Povo, que ele considera um órgão corrupto. Pelo mesmo motivo, também defende uma reforma do Judiciário.

A vitória ocorre 19 anos após a estreia na política, em 2002, quando foi candidato a prefeito de Anguía, um pequeno povoado na região de Cajamarca. Perdeu –e, desde então, nunca mais havia se candidatado.

Castillo compartilha com Keiko Fujimori, a rival derrotada no pleito presidencial, uma visão conservadora. É contra o casamento gay, o aborto e o que chama de "ideologia de gênero".

Afirma que o Estado tem de acompanhar os peruanos "na economia, nas ruas, em casa e na escola", como disse no último debate presidencial.

Também está alinhado com a filha do ex-autocrata peruano Alberto Fujimori quanto à rejeição à entrada no país de mais refugiados venezuelanos, que, para ele, "roubam empregos dos peruanos".

Se, por um lado, é conservador em relação a direitos civis, o eleito defende a refundação do Estado e do modelo econômico do país. Quer uma nova Constituição e afirma que fechará o Congresso caso haja oposição à proposta. Diz também que a economia deve ser construída de "baixo para cima" e menciona, entre as áreas que podem ser estatizadas, a mineração –grande fonte de produtos de exportação do Peru.

Para mudar a Carta, no entanto, é necessário o apoio de dois terços do Parlamento unicameral, algo praticamente impossível em um xadrez político tão fragmentado quanto o do país.

O partido de Castillo, o Perú Libre, terá 37 dos 130 assentos da Casa. A segunda maior força será justamente o Força Popular, de Keiko, com 24 cadeiras, seguido por Ação Popular (16) e Aliança para o Progresso (15), ambos de direita. Já os esquerdistas Somos Perú e o Podemos Perú terão cinco congressistas cada um.

Na campanha, Keiko tentou tachar Castillo como o "chavismo no Peru", mas, apesar dos apoios de Nicolás Maduro –ditador da Venezuela e herdeiro de Chávez– e de Evo Morales –ex-presidente da Bolívia–, o eleito buscou evitar tanto as comparações quanto os acenos de ambos os esquerdistas.

Castillo e seu partido mantêm vínculos com o Movadef, braço político da guerrilha Sendero Luminoso, e muitos de seus membros militam ou militaram pela organização. Tanto o Sendero como o Movadef têm forte atuação no departamento de Cajamarca, onde o novo presidente nasceu.

Se um dos pontos fracos de Keiko são as acusações de corrupção, os de Castillo estão relacionados ao líder de sua legenda, Vladimir Cerrón, condenado por desvio de verbas e criticado pelo elo com o Sendero.

Castillo sempre negou vínculos com os senderistas e sustenta ter feito parte das "rondas campesinas", grupos paramilitares que ajudaram o Exército peruano a derrotar o Sendero, num conflito que deixou mais de 70 mil mortos entre 1980 e 1993. Mesmo fora da lei, os "ronderos" foram tolerados por todos os governos até hoje porque atendem a necessidades de comunidades distantes do centro do Peru.

Em muitos locais do país, há a presença apenas das "rondas campesinas", sem que a polícia ou assistentes sociais atuem nas áreas, numa demonstração de falência do Estado peruano. Em algumas regiões, são fortemente armados e confrontam as forças de segurança do Exército.

De discurso com grande apelo a regiões rurais, Castillo diz que os políticos da capital, Lima, não sabem como a vida se desenvolve no interior e recorre com frequência ao período em que, diz ele, recolhia lenha, cozinhava e não parava de trabalhar, salvo nos horários de ir ao colégio ou de dormir.

Essa retórica, porém, é combatida pelos próprios fujimoristas do interior, que ainda são muito numerosos.
Foi apenas com o passar do tempo que o fujimorismo virou um movimento relacionado às grandes cidades.

No interior e nas áreas onde o Sendero atuava, Alberto Fujimori era muito admirado, justamente porque, em sua gestão, os senderistas foram derrotados.

Na eleição de 1990, ele foi o único candidato a visitar os rincões do país aonde políticos de Lima não iam e, durante seu governo, houve subsídios à população do campo, algo que, hoje, Castillo –e não a filha do autocrata– promete fazer.

A vitória mudará a vida de Castillo, que nunca morou numa cidade grande e ainda vive num povoado, em Chugur, num sítio com uma casa simples de vários cômodos, em que a comida continua a ser feita no fogão a lenha.

15 de jul. de 2021

Repercutimos a edição de 15/07/21 do Ex-Blog do César Maia - LUIZ GAMA É REDESCOBERTO PELAS NOVAS GERAÇÕES! (Priscila Mengue - O Estado de S. Paulo, 11)

 

LUIZ GAMA É REDESCOBERTO PELAS NOVAS GERAÇÕES!

(Priscila Mengue - O Estado de S. Paulo, 11) “Jamais esta capital e quiçá muitas outras cidades do nosso País viram mais imponente e espontânea manifestação de dor e profunda saudade de uma população inteira para com um cidadão que tanto mais merecimento tivera” noticiava o Estadão (então Província de S. Paulo) sobre a morte de Luiz Gama, em 1882, descrito como um dos “nossos homens ilustres”, de “inquebrantável honestidade, lutas e sacrifícios”.

O advogado, escritor, jornalista, intelectual, figura política influente e abolicionista voltou a ganhar destaque nos últimos anos, por gerações que o conheciam apenas por nome (ou nem isso). Agora, 139 anos depois de sua morte, está em processo de resgate e revalorização por meio de pesquisas, livros, obras artísticas e homenagens.

Para pesquisadores, o abolicionista negro que libertou mais de 500 pessoas escravizadas está em momento de “reparação histórica”. Em seis anos, foi oficialmente reconhecido como advogado (pela OAB, em 2015), herói da Pátria (2018, no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria, após publicação de lei federal), como jornalista (pelo Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, em 2018) e como intelectual, ao ser o primeiro brasileiro negro a receber o título de doutor honoris causa da USP – concedido na semana passada.

Gama terá a obra completa publicada em uma coleção pela primeira vez, até dezembro de 2022 e em 10 volumes, segundo a editora Hedra. Com organização do pesquisador Bruno R. de Lima, serão cerca de 750 textos, dos quais a editora diz que mais de 80% são inéditos, entre poesia, sátira, crônica, escritos de intervenção política, literatura jurídica e, principalmente, artigos abolicionistas. Além disso, é retratado em um filme com estreia marcada para agosto.

O mais recente tem ainda a simbologia de ser entregue pela universidade que hoje é integrada pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, na qual o advogado nunca foi admitido como estudante, embora tenha frequentado de outras formas. É o que diz o professor de Jornalismo da USP Dennis de Oliveira, um dos idealizadores da proposta e pesquisador do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre o Negro Brasileiro na mesma instituição. “Ele era um intelectual que circulou por diversas áreas, um intelectual autodidata e que atuava publicamente em prol de mudanças”, comenta o docente, que está com o projeto de criar uma cátedra acadêmica com o nome de Gama. “A ideia é fazer com que suas obras sejam mais conhecidas.”

Para ele, dois motivos pelos quais o advogado passa por uma revalorização são o fortalecimento do movimento negro e o crescimento do número de alunos e pesquisadores negros no ensino superior. Parte desse resgate está ligado ao trabalho de Ligia Fonseca Ferreira, professora da Unifesp, pesquisadora da obra de Gama desde os anos 1990. “Ele nunca foi totalmente desconhecido. Falava-se do abolicionista Luiz Gama, mas conhecia-se pouco dos seus textos. Houve não só um silenciamento, mas um apagamento.”

O filme. Um garoto vendido ilegalmente pelo próprio pai, e que conseguiu retomar a própria liberdade anos depois. Um advogado autodidata que se tornou referência no País e utilizou das leis para garantir a libertação de escravizados. Um intelectual e formador de opinião que publicou nos principais jornais, enquanto também escrevia trovas e fazia charges. Um homem negro que se tornou uma das principais figuras públicas do século 19. Um breve resumo como este da vida de Gama mostra o porquê de o cineasta Jeferson De ter se questionado em 2014.

14 de jul. de 2021

Repercutimos a edição de 14/07/21 do Ex-Blog do César Maia

 

A CRISE DA ÁGUA!

(Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura - O Estado de S. Paulo, 10) Os assuntos água e energia cada vez mais frequentam a mídia nacional e a mundial. A pior crise hídrica em 90 anos no Brasil, trazendo a possibilidade de falta de energia, junto com as questões climáticas, nos obriga a discutir com muito cuidado e atenção esses dois temas. Não só com um olhar sobre o Brasil, mas também para o mundo. O acesso à água e à energia será cada vez mais necessário para dar qualidade e dignidade de vida às pessoas. Com isso, a tendência é de que a oferta de água e de energia cresça numa velocidade inferior à demanda. Portanto, para manter o equilíbrio entre oferta e demanda, será cada vez mais necessário racionalizar o uso tanto da água como da energia, entendendo que os preços devem ser crescentes.

No Brasil, água e energia se confundem. Isso porque a nossa geração de energia tem na água a sua principal fonte. A protagonista das três crises de energia elétrica nos últimos 20 anos (2001/2002, 2014/2015 e, agora, 2021/2022) tem sido a água – ou, melhor, a falta de água, que é responsável ainda hoje por 70% da nossa geração de energia. E, como a água no Brasil cada vez terá mais uso múltiplo, é preciso encontrar ou, melhor, propor uma política pública que leve isso em consideração. Hoje o agronegócio, que tem sido o principal setor da nossa economia, precisa cada vez mais de água e de energia para irrigação; não podemos abrir mão da navegação nas hidrovias, nem tão pouco para atender atividades de turismo; isso sem falar no saneamento, cujo um dos maiores desafios é a captação de água.

Neste contexto, a discussão central que deveríamos travar – e já passamos da hora – é a valoração da água. No Brasil sempre tivemos um olhar de que água seria uma dádiva de Deus e, por isso, seu custo seria zero. Portanto, gerar energia com água é a forma mais barata. Esse olhar sobre a água nos leva àquele conceito de que países que são presenteados com muitos recursos naturais acabam por sofrer uma maldição. Esse conceito é muito usado em relação aos recursos naturais. A “Maldição dos Recursos Naturais” é um termo utilizado para mostrar que países ricos em recursos naturais crescem menos, pois essa fonte de riqueza tende a gerar desperdícios em meio à corrupção e a entraves burocráticos. Gastos correntes crescem em detrimento de ações na infraestrutura e no fortalecimento institucional. Isso acaba beneficiando grupos influentes e desorganiza a economia. No fim do dia, são sociedades predadoras de recursos naturais. Só sabem colher, não sabem plantar. E é dessa forma que estamos nos comportando na utilização das nossas bacias hidrográficas há bastante tempo.

A água, por seu uso múltiplo, não é nem será mais a fonte mais barata para gerar energia elétrica no Brasil. Precisamos garantir um nível mínimo de armazenamento nos reservatórios e deslocar o uso do potencial de geração hidráulica para garantir as vazões mínimas, a sazonalização da oferta de energia para as demais renováveis e o atendimento da ponta do sistema elétrico. Térmicas a gás natural com 70% de inflexibilidade e nucleares passariam a ser parte da geração prioritária de base, complementada por geração hidráulica de vazão mínima, eólica, solar, hidráulica a fio de água e por novas fontes, como o biogás.

Precisamos parar de adotar soluções de países ricos, que têm uma realidade energética diferente da nossa. Precisamos construir um projeto brasileiro para o setor de energia. Olhando para as nossas vantagens comparativas e a realidade da nossa sociedade. A Califórnia não é aqui. Portanto, diante dessa situação de mais uma crise, em que a protagonista é mais uma vez a água, a prioridade deveria ser construir uma matriz elétrica mais equilibrada, mais confiável e menos refém do clima, aproveitando a diversidade das nossas fontes primárias de energia. Precisamos, também, da mesma forma que foi feito com o gás natural e com o saneamento, discutir no Congresso um marco regulatório para a água no Brasil. No processo de transição energética, o desafio é aumentar a oferta de energia. Aí, sim, enfrentaremos o real problema com soluções próprias, resolvendo a questão central do uso múltiplo da água e afastando de vez o pesadelo de novos apagões e racionamentos.

28 de ago. de 2020

POLÍTICA: Mais 2 políticos da turma que dizia querer "acabar com a corrupção neste país" foram alvos de ação policial

POLÍTICA

Mais 2 políticos que "queriam acabar com a corrupção neste país" foram alvos de ação policial.

Desta vez, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC/RJ) foi afastado do cargo por determinação do STJ e o presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo foi preso.

Saiba mais: https://capitaofernandopolitica.blogspot.com/2020/08/stj-afasta-wilson-witzel-pscrj-do-cargo.html 


Veja aqui outros casos semelhantes: https://capitaofernandopolitica.blogspot.com/search/label/Corrup%C3%A7%C3%A3o 

6 de set. de 2019

1 de jul. de 2019

Mito desintegrado: por que Bolsonaro perdeu a popularidade?

Mito desintegrado: por que Bolsonaro perdeu a popularidade? https://www.cartacapital.com.br/politica/mito-desintegrado-por-que-bolsonaro-perdeu-a-popularidade/

29 de out. de 2018

Pimenta: “A Rede Globo virou o grande partido político da direita brasileira”

Pimenta: “A Rede Globo virou o grande
partido político da direita brasileira”


A poucos dias do segundo turno que definirá o futuro Presidente do Brasil, o site Contexto – portal de notícias da Argentina – conversou com o líder da Bancada do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (RS), que assegurou que, “apesar de todo os ataques sujos”, Fernando Haddad (PT) chega “a poucos dias da eleição em condições de ganhar”. Ele afirmou que “estão em disputa dois projetos que representam o choque entre a civilização e a barbárie provocada pelo capitalismo selvagem”.
Leia mais
 

19 de out. de 2018

PT vai pedir anulação da eleição junto à ONU



Boletim 243 – Comitê Popular em Defesa de Lula e da Democracia


Assim como fez perante a Organização das Nações Unidas (ONU), à qual denunciou a arbitrária prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Partido dos Trabalhadores vai agora denunciar a entidades internacionais práticas ilegais e antidemocráticas utilizadas na campanha eleitoral para a Presidência da República pelo candidato de extrema-direita do PSL. O anunciou foi feito hoje pela presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann. Leia mais: http://www.pt.org.br/boletim-243-comite-popular-em-defesa-de-lula-e-da-democracia/

9 de jul. de 2018

Sobre o caso Lula - uma análise



Sobre o caso Lula:
1. Lula foi preso, após condenação pelo TRF-4, portanto a 2a instância. O processo não transitou em julgado;
2. Supostamente, Lula se caracteriza como alcançado pela Lei da Ficha Limpa, não podendo ser candidato;
3. Lula pode registrar a sua candidatura a presidente e ser candidato até que algum juiz o sentencie como ficha-suja, entretanto na nossa jurisprudência há centenas de casos similares onde mesmo "fichas-sujas", através de liminares, continuam na disputa do pleito, participam de toda a campanha, seus nomes mantêm-se nos panfletos, cédulas, etc e no final do processo, mais de 70% deles assumem seus mandatos. No caso de Lula, há enorme possibilidade, inclusive, de absolvição nas instâncias superiores;
4. Quando da época da prisão de Lula, ele era "pré-candidato" a presidente, mas ainda não havia as ações características dessa pré-campanha, foi pra cela e lá está até agora. Digamos que seria uma "Pré-candidatura inativa", dele e de todos os demais pré-candidatos;
5. O TSE abriu um período de pré-candidatura ativa e grandes veículos de mídia, de alcance nacional e de alto impacto na sociedade, vêm realizando debates de propostas e idéias com os pré-candidatos à presidente, agora não mais inativos, mas sim ativos;
6. A juiza de execuções penais do caso de Lula recebeu dezenas de pedidos para que Lula possa participar dessa etapa do pleito, a pré-campanha ativa, tanto do PT, como desses orgãos de comunicação citados. Os pedidos foram simplesmente "engavetados", sem resposta;
7. A Justiça Eleitoral autorizou, depois de Lula estar preso, que os pré-candidatos Inativos" até então, possam abrir contas e realizar a arrecadação de fundos através de "vaquinha virtual" e Lula, por estar preso, além de não poder falar ao grande público, também fica impedido de conseguir recursos para realizar a sua futura campanha. Eis o fato novo!
8. Foi requerido um HC ao TRF-4 e que foi analisado pelo juiz correto, o desembargador de plantão. Sim, ele foi filiado ao PT, porém ao assumir seu cargo, ele teve a necessidade de se desfiliar e hoje não é mais. Há suspeição? Tecnicamente essa suspeição tem que ser dita por ele próprio, assim como a de Sérgio Moro, Gilmar Mendes, etc e tal, nos casos que eles julgam;
9. O juiz correto deferiu o HC;
10. Sérgio Moro, de férias, mandou que tal decisão judicial - que em tese deve ser cumprida - não fosse cumprida. Em tese isso pode ser caracterizada como crime e essa atitude está sendo apurada pelo CNJ;
11. O desembargador-relator do caso, sozinho não representa sua 8a turma do TRF-4, ele pode ser voto-vencido! Sozinho, decidiu que a decisão do desembargador de plantão não era cabível e revogou a decisão;
12. O presidente do TRF-4, a partir de uma brecha no regimento que fala em "conflito entre juizes", ele deveria decidir. Ocorre que não havia tal conflito, uma vez que o desembargador-relator não tinha competência para atuar nesse caso e sim o desembargador-plantonista, pois ele não está revisando coisa julgada pela turma, mas sim um processo novo - HC - que contém fatos novos: 
*Lula poder exercer a sua liberdade de expressão
*Lula poder ir e vir enquanto pré-candidato
*Lula poder trabalhar em torno da arrecadação de fundos

O objetivo desse texto é explicar e mostrar, te ajudar a se convencer de que Lula é um preso político!
Se só a falta de provas, ou provas tecnicamente montadas por mudanças radicais em depoimentos, em virtude de premiação pós delação, são suficientes - vc acredita que há provas, tudo bem, é um direito seu!
Agora, vendo toda essa movimentação para a não soltura de Lula, o não cumprimento de uma decisão judicial, quem sabe isso lhe ajude a entender o todo:

*Lula é pré-candidato;
*Lula pode ser pré-candidato
*Está havendo debates com os pré-candidatos e Lula não está podendo participar deles
*Não causaria nenhum problema à justiça ele vir a participar, até pq ele não ocupa nenhum cargo público
*Lula não pode fazer a arrecadação de fundos necessários à sua campanha
* Isso tudo contra o pré-candidato que lidera a corrida presidencial

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Essa é a fraude que estamos denunciando ao Brasil e ao mundo!!!
Eleição sem o Lula é fraude!!!
Estão tentando retirar do jogo eleitoral o nosso representante!!!
Lula é o melhor candidato para o nosso Brasil.