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19 de jan. de 2026

Marx e o Estado ----- Ciência Política • Cultura • Livros • Marxismo --- Artigo de Opinião escrito por ARI MARCELO SOLON & ALEXANDRE DE LIMA CASTRO TRANJAN

Marx e o Estado  ----- 

Ciência Política • Cultura • Livros • Marxismo   

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Artigo de Opinião escrito por  ARI MARCELO SOLON & ALEXANDRE DE LIMA CASTRO TRANJAN.


Comentário sobre o livro recém lançado "Marx e o estado" - https://amzn.to/3ZlQhIk - de Rafael Padial


Créditos A Terra é redonda.

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Marx e o Estado

16/01/2026

Ciência Política • Cultura • Livros • Marxismo





Por 

ARI MARCELO SOLON & ALEXANDRE DE LIMA CASTRO TRANJAN*


Comentário sobre o livro, recém-lançado, de Rafael Padial


1.

A obra Marx e o Estado, de Rafael Padial, impressiona pela clareza e profundidade com que examina a concepção de Estado em Karl Marx. Sempre me havia intrigado a conhecida “lacuna” na obra de Marx, isto é, o prometido e nunca escrito livro sobre o Estado, que Rafael Padial demonstra como uma ausência meramente aparente.

Mesmo prescindindo do peso dogmático de obras posteriores da tradição marxista, já que com o fito de reconstruir Marx a partir de suas próprias palavras, demonstra Rafael Padial que a teoria do Estado perpassa as entrelinhas da crítica da economia política, entrelinhas estas que se revelam por meio de uma leitura fiel, realizada sem mediações desnecessárias, e que prescinde do peso dogmático da tradição marxista posterior.

A um só tempo, pareceu-me a leitura densa e didática, enriquecida pelo que Rafael Padial consegue extrair da história – em especial, da Comuna de Paris, “uma revolução dentro da revolução” (p. 64), um “não-Estado” comunitário (p. 72) –, em termos de conceitos e interpretações sobre o Estado.

Vejamos, com grande interesse não apenas para o estudo do socialismo, mas também para as condicionantes do modo de produção capitalista nas relações internacionais, as lições da Comuna que Rafael Padial extrai corretamente de Marx:

“Ela não teve tempo de avançar seriamente em medidas econômicas profundas, embora as tivesse esboçado em diferentes aspectos. Ela foi pioneira na organização popular e armamento das mulheres.

Ela se demarcou completamente por forte caráter internacionalista – sendo vários dos seus destacados membros não-franceses. Sobretudo, ela ensinou – conforme o prefácio de 1872 a o Manifesto – que ‘a classe trabalhadora não pode simplesmente tomar a máquina de Estado pronta e colocá-la a serviço de seus próprios fins’ e que ‘quebrar a máquina do Estado é precondição para toda verdadeira revolução’.

Na segunda metade de maio de 1871, iniciou-se a repressão das tropas versalhesas contra o proletariado armado parisiense. Fundamental para a repressão foi a soltura da elite do exército francês, treinada na violência colonial. Num acordo entre Thiers e Bismarck, tal setor do exército francês foi liberado, confraternizou com o exército alemão (“um evento sem paralelo na história”, disse Marx) e avançou para a repressão aos communards. Durante a repressão, inclusive, o exército alemão posicionou-se dando cobertura ao francês. A população proletária resistiu ao máximo que pode, mas o massacre foi absoluto e abjeto” (p. 73).


2.

De sua obra, o que mais me prendeu a atenção foi o modo como Rafael Padial reconstrói o pensamento de Marx a partir de suas próprias palavras. Não se atendo a repetir o conhecido – isto é, aquela ideia do Estado como instrumento de dominação de classe, ou “comitê de negócios da burguesia”, contida no Manifesto comunista –, mostra o Estado como uma estrutura complexa e contraditória, enraizada em formas históricas de produção.

“O Estado, portanto, não pode ser concebido meramente como uma ‘superestrutura’ política que reflete diretamente a “estrutura” material das relações de produção: pode haver deformações e autonomizações relativas. Inclusive, o uso do proletariado como espantalho – para manter a burguesia paralisada – foi às vezes ao limite da implementação de reivindicações populares. Claro, sob estrito controle estatal.

Em situações de desenvolvimento das forças produtivas nacionais (que esses regimes em geral promovem), cria-se frequentemente a tendência de parte do movimento proletário, com aspirações estatistas ou nacionalistas, aproximar-se do “líder” demagogo do Executivo, com a ilusão de que o Estado poderia de alguma forma ser usado para uma transição ao “socialismo”. Foi o caso de Pierre-Joseph Proudhon na França de Luís Bonaparte; e de Ferdinand Lassalle na Alemanha de Otto von Bismarck” (p. 65-6).

Aprouve-me especialmente a noção de que o Estado moderno é o “capitalista ideal”: um mecanismo que viabiliza política e juridicamente a reprodução do capitalismo. Seja realizando investimentos no mais das vezes inacessíveis a capitais privados, seja oferecendo infraestrutura, formação de capital humano e segurança aos empreendimentos capitalistas, o Estado sempre aparece como agente garante ou articulador (p. 49).

O que mais me impactou, porém, foi perceber um Marx mais humano e menos messiânico. Há ali uma sensibilidade preservada por poucos intérpretes modernos: Marx como pensador vivo, em confronto com seu tempo e com o nosso. Rafael Padial não o transforma em ícone, mas em pensador que erra, que tateia, que busca compreender o mundo real sem se refugiar na utopia.

E, mesmo assim, há algo de profundamente utópico, no melhor sentido da palavra, na ideia de superação do Estado como forma histórica de dominação. Nisso podemos reconhecer uma tensão, sem menoscabo ao valor crítico da obra de Marx: este nega o caráter utópico de sua teoria, mas é impossível não perceber, em sua crítica, um impulso de esperança, um desejo de emancipação que ultrapassa a pura análise materialista.

O livro também me fez pensar na relação entre política e direito. Rafael Padial mostra como o Estado, em Marx, não é apenas repressão, mas também estrutura jurídica e ideológica que naturaliza o capital, isto é, um sistema lastreado na subjetividade jurídica que consiste numa emanação das relações de troca (p. 37-8). Isso me fez reler o pensamento marxiano com outro olhar, mais atento à filosofia do direito e às implicações éticas do poder.

Enfim, Marx e o Estado me deixou com a sensação de ter percorrido um terreno já conhecido, mas por um novo caminho: um caminho mais claro, mais honesto e – por que não? – mais provocador. É uma leitura que exige atenção, mas recompensa com lucidez. Encontrei ali um Marx que não é mito nem profeta: é o analista implacável do real.


*Ari Marcelo Solon é professor na Faculdade de Direito da USP. Autor, entre outros, livros, de Caminhos da filosofia e da ciência do direito: conexão alemã no devir da justiça (Prisma) - https://amzn.to/49KnK42


*Alexandre de Lima Castro Tranjan é doutorando em Filosofia e Teoria Geral do Direito na USP.



Referência



Rafael Padial. Marx e o Estado. São Paulo, LF editorial, 2025, 102 págs - https://amzn.to/3NtrEa7 




1 de jan. de 2025

Respondendo aos neoliberais - Não acredite nas Fake News de "Rombo nas Estatais" - entenda a diferença entre prejuízo e défict

LFS Política - 

Respondendo aos neoliberais - Não acredite nas Fake News de "Rombo nas Estatais" - entenda a diferença entre prejuízo e défict.



LFS Política - Desmistificando as Fake News sobre "Rombo nas Estatais" Vídeo: https://youtube.com/shorts/8X59t8YwL74 A ministra Esther Dweck desmente alegações de "rombo nas estatais", esclarecendo a diferença entre déficit e prejuízo. Embora algumas empresas apresentem déficit, isso não indica má gestão. Rumores surgem de desinformação e falta de entendimento das normas legais. #fakenews #transparencia #educacaofinanceira #verificacaodefatos #estatais #haddad #governo








Fizemos um vídeo para te explicar de forma resumida, e trouxemos algumas outras fontes, para quem realmente não quer ser enganado.

Confira.



Ministra desmente suposto "rombo nas estatais" e explica diferença entre déficit e prejuízo

Esther Dweck responde reportagens da mídia corporativa sobre contas das empresas estatais, mas reconhece prejuízo em algum nível de 3 empresas

Leia mais »»

 


Haddad: não é verdade que estatais tiveram déficit recorde

Ministro da Fazenda explicou que a contabilidade das estatais não é a mesma da contabilidade pública

Leia mais »»



Créditos Brasil 247


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Bonhgass explica em 90 segundos: https://www.instagram.com/bohn_gass/reel/C3aIfSypvW8/


Enio Verri desmente fake news de site sobre “rombo em Itaipu”.

Diretor-geral da empresa afirma que a desinformação é fruto de incompreensão sobre as normas legais.

Créditos Brasil 247, leia mais: https://www.brasil247.com/economia/enio-verri-desmente-fake-news-de-site-sobre-rombo-em-itaipu


2 de mai. de 2023

LFS Economia: Seria o Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, um Comunista?


 



LFS Economia:

Seria o Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, um Comunista?

Se fosse aqui no Brasil provavelmente sim, de comunista, de esquerdopata e por aí vai ...

O camarada fez um discurso surpreendente onde defendeu a redução do papel do Mercado e o aumento do papel do Estado.


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*Participe do nosso grupo no WhatsApp LFS Economia: https://chat.whatsapp.com/BVW9zFiF8yb817bzcwcYgJ


10 de dez. de 2021

EDUCAÇÃO - Repercutimos o ex-Blog do César Maia, edição 09/12/21 - A METÓDICA RUÍNA DO ENSINO PÚBLICO! (O Estado de S. Paulo, 05)


 


EDUCAÇÃO - 

Repercutimos o ex-Blog do César Maia, edição 09/12/21 -  A METÓDICA RUÍNA DO ENSINO PÚBLICO!  (O Estado de S. Paulo, 05). 

Confira: https://capitaofernandoeducacao.blogspot.com/2021/12/educacao-repercutimos-o-ex-blog-do.html 


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Conheça a LFS Educação - 

A LFS Educação é a estrutura própria da Rede LFS de Comunicação – 4,5 milhões de acessos (https://redelfsdecomunicacao.wordpress.com)- que trata exclusivamente sobre a temática da Educação. Composta por blogs, páginas, grupos nas mídias digitais, trazemos para você, o nosso leitor(a), notícias, artigos, análises segmentadas com esse assunto. 

Visite e junte-se a nós: https://redelfsdecomunicacao.wordpress.com/2021/10/26/conheca-a-lfs-educacao/

24 de out. de 2021

Infraestrutura - "Petrobrás foi esquartejada e anda na contramão do mundo”, diz ex-presidente da estatal nos governos do PT, Sergio Gabrielli

Infraestrutura - 

"Petrobras foi esquartejada e anda na contramão do mundo”, diz ex-presidente da estatal Sergio Gabrielli

Em entrevista à TV 247, Gabrielli explica que não há política de preços capaz de conter as pressões negativas geradas sobre a Petrobrás pelos governos Temer e Bolsonaro. A privatização de operações da companhia, aliada à diminuição do refino interno, levaram ao seu “esquartejamento”.

Saiba mais: “Petrobrás foi esquartejada e anda na contramão do mundo”, diz ex-presidente da estatal Sergio Gabrielli | Infraestrutura (capitaofernandoinfraestrutura.blogspot.com) 


13 de out. de 2021

Repercutimos a edição de 13/10/21 do Ex-Blog do César Maia: FELIPE GONZALEZ, EX-PRIMEIRO-MINISTRO ESPANHOL – EM SEMINÁRIO EM SP EM 2004! (Resumo de Cesar Maia)

 

FELIPE GONZALEZ, EX-PRIMEIRO-MINISTRO ESPANHOL – EM SEMINÁRIO EM SP EM 2004!

(Resumo de Cesar Maia) O espaço público que compartilhamos é a política, mas a que se faz com P maiúsculo, ou seja, a arte de governar as diferentes ideias, as diversas identidades e os interesses opostos. E governar não só para que as diferenças convivam entre si pacificamente, mas sim para, dessa pluralidade de ideias, dessas diferentes identidades e dessa contraposição de interesses, tirar um projeto para o país.

Não creio em nenhum modelo econômico que diz que antes é preciso crescer para depois atender ao problema ético ou moral da equidade social. E não é apenas um problema de igualdade, mas de eficiência econômica. É impossível ter empresas fortes num país em que há miséria, que tem uma sociedade marginalizada. Não pode haver ao mesmo tempo pobreza e grandes empresas.

Há sempre um ponto de inflexão que permite diferenciar o que significa país emergente e país central. As vezes fala em país desenvolvido e subdesenvolvido, mas essa é uma linguagem ofensiva. Há 25 anos éramos um país qualificado como receptor de ajuda para o desenvolvimento. Agora é um país obrigado a prestar ajuda ao desenvolvimento de outros países. Portanto passamos a ser um país central. Nem um só país conseguiu passar de emergente para central sem uma área de consenso muito séria.

No autoritarismo se nacionalizava como instrumento de poder. A esquerda proclama a nacionalização como instrumento ideológico de igualdade de oportunidade, o que nunca foi. Isso nunca se demonstrou em nenhuma parte. Havia um matrimonio raro com essa ideia, que me leva a dizer com frequência que nos casamos com os instrumentos e esquecemos que as vezes os instrumentos nos alijam dos objetivos. Há de ser flexível com os instrumentos e tenazmente comprometido com os objetivos.

Eu disse que não acreditava que a Europa seja um motor alternativo do crescimento mundial. Hoje a Europa tem uma moeda única para um conjunto de países. Mas não tem uma política econômica suficientemente coordenada que acompanhe a política monetária. Portanto, não tem flexibilidade suficiente para fazer política econômica pragmática. Não tem margem de flexibilidade.

Gastos na Educação, é a única estratégia que nunca falha para o desenvolvimento de um país. A única que nunca falha. Essa é uma variável estratégica fantástica, um recurso natural como o petróleo, com a vantagem que a melhor variável estratégica é o capital humano.

O que faltava em nosso país, era um pouco mais de confiança em nós mesmos, que não tínhamos, e um pouco mais, ou muito mais na formação dos jovens de meu país. Portanto a Educação é a grande variável estratégica. Mas um projeto educativo tem que ser para 20 anos. Não pode ser um projeto que mude quando o governo é trocado. Portanto é preciso que haja um consenso básico do que se deve fazer com a educação.

Nosso país teve de suportar um processo de olhar para si mesmo, de autoconhecimento, de parar de pensar que seus inimigos estavam fora. Que ora era o Reino Unido, ora a França, ora os Estados Unidos.

Em política exterior o consenso é fundamental. Os países centrais, os países respeitados, são países que não variam substancialmente sua orientação de política exterior. Porque as variações dramáticas em política exterior têm um impacto diferente do que as mudanças na política interna, porque afetam os outros.

Mas nunca se pode confundir descentralização do poder com centrifugação do poder. Para poder descentralizar é preciso manter a coesão interna. Tivemos problemas de confusão entre descentralização e centrifugação do poder. A má divisão do poder, rompendo a coesão, debilita as partes e debilita o todo. E isso não aconteceu apenas aqui.

O Estado também tem de redimensionar suas funções. Nunca defendi um Estado cheio de gordura. Nunca defendi o clientelismo que absorve porcentagens inaceitáveis do PIB. Mas nunca me inclinei por um Estado raquítico, anêmico, sem capacidade de resposta ante sua responsabilidade. O ideal seria ter um Estado como esses corpos fortes como os vistos em Ipanema, que não tem nem uma grama de gordura, mas também nunca se veem esqueléticos, porque esses não passeiam pelas praias. Esse é o Estado ideal.

5 de out. de 2021

3 de mar. de 2017

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Com o advento da PEC do teto dos gastos, que congela despesas por 20 anos, todos os hospitais filantrópicos correm sérios riscos de redução substancial de receitas. Isso significa: demissão e menor capacidade de atendimento da população. Leia mais.