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23 de nov. de 2024

Análise de Conjuntura: João Pedro analisa crise do Capitalismo Global créditos MST

 




18 de jul. de 2021

Análise de Conjuntura - Herança escravista faz elite rejeitar qualquer redução das desigualdades, diz Brum Torres

Análise de Conjuntura - Herança escravista faz elite rejeitar qualquer redução das desigualdades, diz Brum Torres

Para o professor e teórico, topo da pirâmide social brasileira rechaça qualquer projeto de reformismo social no país

Brasil de Fato | Porto Alegre |
 
João Carlos Brum Torres rompeu com o PMDB em 2018 indignado com sua guinada à direita - Foto: Guilherme Santos/Sul21

A herança colonial do Brasil acirra um comportamento elitista em parte da população do país, que faz com que ela rejeite qualquer política de combate às desigualdades sociais. Essa é a opinião do pesquisador João Carlos Brum, que é estudioso de Kant, Hegel e Marx, professor e nome de peso quando se fala em formulação de planos de governo.

“A origem disso frequentemente é esquecida mas remonta ao escravismo colonial. Essa herança gera um elitismo e faz de qualquer superioridade de renda e status profissional um elemento decisivo da autoestima individual. É uma fonte de rejeição a projetos e políticas de reformismo social e de redução das desigualdades no país”, disse, em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato RS.

Nesta conversa, ele analisou o erros do MDB, sua antiga legenda, e a situação política atual do país. Sobre a ameaça às eleições de 2022, o maior risco é o que o professor chama de “massivo núcleo do conservadorismo direitista brasileiro”.

Durante a ditadura civil-militar, Brum Torres foi um dos 37 docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) obrigados a deixar o país por perseguições políticas. Em Paris, ele concluiu o mestrado e, mais tarde, retornou ao Brasil para fazer doutorado na USP. De volta ao Sul, ocupou diferentes cargos na Assembleia Legislativa do estado.

Pelo seu trabalho, ganhou fama nos governos peemedebistas, o que não o impediu de aceitar o convite do então prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro (PT), para assumir a Secretaria Extraordinária de Captação de Recursos do município, em 1993.

Em 2018, Brum Torres rompeu com o PMDB, indignado com guinada do partido à direita, em especial quando anunciou apoio ao então candidato à presidência Jair Bolsonaro, já com a sigla convertida em MDB, “com pragmatismo, entusiasmo e leviandade tão grandes quanto surpreendentes”, como ironizou o acadêmico.

Confira a entrevista na íntegra:

Brasil de Fato RS - Em 2018, o partido do qual o senhor é um quadro histórico, o MDB, apoiou Bolsonaro e o candidato da sigla ao governo gaúcho, José Ivo Sartori, auto-rebatizou-se como “Sartonaro”. senhor anunciou sua desfiliação. Após dois anos e meio de governo Bolsonaro, como o senhor se posiciona sobre esse fato?

João Carlos Brum Torres - Creio que a lastimável situação em que se encontra hoje o país atesta o grave erro da opção feita pelo MDB-RS em 2018, muito mais que a derrota e amarga frustração eleitoral. Esta opção, convém sublinhar, lamentavelmente rompeu com a história do partido no estado, com pragmatismo, entusiasmo e leviandade tão grandes quanto surpreendentes, uma vez que, durante décadas, o MDB-RS manteve-se entre o centro e a esquerda moderada e democrática As eleições de 2018 tiveram um resultado funesto

BdFRS - João Carlos Bona Garcia, que foi secretário como o senhor em governos do MDB e também recusou apoiar Bolsonaro, descreveu o então candidato e atual presidente como “misógino, racista, preconceituoso, antidemocrático e apoiador de torturadores”. Egresso da luta pela democracia, o MDB não viu onde estava pisando ou resolveu, de caso pensado, se aliar ao candidato?

Brum Torres - A vitória do PSDB felizmente não replicou aqui o desastre nacional produzido pelo deslocamento do centro de poder para a extrema direita. As eleições de 2018 tiveram um resultado funesto. O mais evidente testemunho disso, é a trágica entrega do governo federal a um líder que tem sua agenda focada no combate ideológico à esquerda e à promoção de valores civilizacionais mais reacionários. Ele foi e continua sendo o gerenciamento errático e irresponsável dos enormes danos trazidos pela pandemia, cujas mortes já são mais de 530 mil.

Ele foi um fator de multiplicação de óbitos evitáveis, configurando, no mínimo, um crime de responsabilidade do presidente da República. Outras frentes, como nas ameaças à democracia, a negação antecipada de resultado eleitoral de 2022, os desatinos cometidos com a Amazônia e a política externa também produzem danos enormes. A gravíssima consequência é a desmoralização internacional do Brasil.

BdFRS - Três anos atrás, o senhor disse que “as instituições democráticas resistirão” (a Bolsonaro). Depois de uma série de episódios recentes, entre os quais a não-punição do general Pazuello, mantém a mesma convicção? Existem seis mil militares no governo Bolsonaro. Caso outro candidato vença as eleições de 2022, como irá se livrar dessa carga? Qual seu temor de golpe na hipótese de derrota do presidente?

Brum Torres - Ainda penso que as instituições democráticas têm resistido e que resistirão às pretensões e arroubos ditatoriais de Bolsonaro. Embora submetida ao mais exigente teste de estresse que enfrentamos desde a Constituinte, nossa democracia tem mostrado grande resiliência e é admirável o modo como o Poder Judiciário, o Congresso, os grandes órgãos tradicionais de formação da opinião pública, assim como as manifestações populares, têm conseguido limitar as ameaças e estragos produzidos pelo bolsonarismo. Ainda assim, de fato, a não punição do general Pazuello é um caso em que, preocupantemente, a cúpula do Exército ignorou o disposto em seus regulamentos e fez um gesto de subordinação política da instituição à vontade transgressora do presidente.

No entanto, não me parece provável que caso haja decisão congressual para o impeachment ou que a derrotada eleitoral de Bolsonaro vá provocar um golpe de Estado promovido pelas Forças Armadas. Vejo essa crença corroborada no desgarramento de parte da elite nacional do bolsonarismo e na diminuição da base popular conseguida em 2018. Ainda assim, vejo que nossa democracia não está livre de riscos e que há forças, no governo e fora dele, que trabalham para desestabilizá-la, sobretudo se o presidente eleito não vier do campo conservador. Esse recrutamento massivo de militares, inclusive da ativa, para cargos do Poder Executivo é um dos elementos que configuram tais ameaças, mas não creio que o perigo maior resida nos interesses corporativos que esse recrutamento gera.

Risco maior me parece vir do massivo núcleo do conservadorismo direitista brasileiro. Nele se combinam vários elementos. O mais profundo deles são os costumes e crenças discriminatórias materializados nas extremas desigualdades de nossa sociedade. A origem disso frequentemente é esquecida mas remonta ao escravismo colonial. Essa herança gera um elitismo e faz de qualquer superioridade de renda e status profissional um elemento decisivo da autoestima individual. É uma fonte de rejeição a projetos e políticas de reformismo social e de redução das desigualdades no país.

Um terceiro elemento a compor o amálgama do direitismo brasileiro é a dominância de uma forma de ultraliberalismo econômico. Seus defensores deixam de lado a defesa dos valores que acreditam e se dispõe a pagar qualquer preço político para evitar perder o Estado, inclusive a restauração de um regime autoritário. Foi a composição desse conjunto de elementos, condensados no antipetismo, que deu forças para a vitória a Bolsonaro.

BdFRS - Qual sua avaliação sobre o discurso da “antipolítica”, da qual Bolsonaro se diz representante?

Brum Torres - Não há salvação fora da política, porque a política é a própria forma de organização das sociedades. Desde a revolução francesa e a independência dos Estados Unidos, a democracia se fez e se mantém como a melhor das formas de organização político-institucional dentre todas as conhecidas pela História humana.

A opção política ideal, o caminho a ser seguido, é o da formação de uma frente comum de defesa da democracia que, ao mesmo tempo, engendre um compromisso. Obviamente o acesso a essa rota não é reto, nem o trecho a ser percorrido é livre de barreiras, de buracos e de deslizamentos. No centro político há pré-candidaturas múltiplas – como as de Ciro, Doria, Mandetta, Tasso e Leite ‒ e à esquerda, a figura de Lula, cuja força eleitoral é inquestionável, mas cujas condições para devolver a tão necessária estabilidade política ao país são de realização difícil.

Por isso a composição das forças democráticas em torno de um programa de transição comprometido com a preservação do Estado Democrático de Direito, com a redução das desigualdades e com a retomada do desenvolvimento econômico me parece ser a melhor das opções políticas. Se isso não for viável em primeiro turno, é vital que ocorra no segundo turno. A reeleição de Bolsonaro traria atraso e desprezo por aspirações de justiça e igualdade.

BdFRS - Diferentes personagens, de diversas ocorrentes ideológicas, estiveram à frente de governos, mas nenhum deles motivou tanta desesperança nos brasileiros. O governo atual motiva um estado de desesperança, agravado ainda mais pela pandemia e pelo fracasso no seu enfrentamento. Se Bolsonaro vencer em 2022, o país aguentará?

Brum Torres – As pesquisas de opinião mais recentes mostram que essa possibilidade está se tornando improvável. Contudo, se esta improbabilidade sobrevir será porque a divisão de forças democráticas permitiu que as lideranças de direita, coordenadas ou não por Bolsonaro, novamente constituam um bloco político-social hegemônico.

Em tal caso, certamente teríamos um longo período de dominância de valores anti-iluministas e de desprezo pelas aspirações de termos um país mais democrático, social e economicamente mais justo, mais educado, mais próspero, mais pacífico e mais alegre. Aguentaria, portanto, com o custo de, como dizia Padre Vieira, “continuarmos a navegar nosso naufrágio”.

 


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Fonte: BdF Rio Grande do Sul

Edição: Sarah Fernandes e Katia Marko



Créditos BdF

24 de nov. de 2018

POLÍTICA - Vejam a análise de conjuntura politica no Brasil "O PONTO", publicada no Brasil de Fato

Vejam a resenha semanal da conjuntura politica no Brasil "O PONTO" - 23/11/18

Olá, 
a formação do novo governo segue um padrão em meio ao caos proposital: Paulo Guedes mostra força e traz nomes de confiança para implementar uma agenda privatizações, enquanto Bolsonaro segue indicando ministros alinhados ao conservadorismo conspiratório e aos lobbies empresariais. Se Bolsonaro - ainda - age por fora do sistema político, o sistema financeiro está vindo de mala e cuia.

Todos os compromissos do PresidenteA cada nome anunciado para compor o futuro governo, é natural que as atenções se dirijam ao currículo de cada um. Porém, cada escolha de Bolsonaro também revela com quem são seus compromissos, quais setores serão contemplados e por onde vai este governo. Começando pela turma dos Chicago Boys, os economistas formados pela escola liberal da Universidade de Chicago, que gostam de uma liberdade para o mercado mas preferem autoritarismo na política. É de lá que saiu o superministro Paulo Guedes e o presidente do BNDES Joaquim Lewy. E também o novo presidente da Petrobrás Roberto Castello Branco e do Banco do Brasil Rubem de Freitas Novaes. Paulo Guedes, aliás, segue mostrando força ao indicar todos os nomes para os cargos-chave. O repertório do grupo é simples, como comprovam os planos para Petrobrás: privatização de áreas da empresa e preços atrelados ao mercado internacional. Além da petroleira, bancos estatais também devem entrar na mira da nova secretaria de privatizações. Falando nisso: Bolsonaro vai receber de Temer um pacote de projetos de concessão, prontos para serem leiloados já no primeiro trimestre do ano que vem, incluindo 12 aeroportos, quatro portos e uma ferrovia. A solução é vender o Brasil.

Tão forte quanto os Chicago Boys no governo, serão os integrantes da República de Curitiba. Sérgio Moro já chamou para a sua equipe dois braços-direitos da Lava-Jato: o atual superintendente da Polícia Federal no Paraná, Maurício Valeixo, seu antecessor, Rosalvo Ferreira Franco, e a delegada Érika Marena, atual superintendente da PF em Sergipe. A delegada Marena é aquela envolvida no caso de abuso de poder que levou ao suicídio do reitor da UFSC e de perseguição aos servidores da universidade. Chefe da PF em Foz do Iguaçu, Fabricio Bordignon é outro integrante da República cotado para se transferir para Brasília.

A terceira força central do governo devem ser as forças armadas, em sua versão mais conservadora, mas também revanchista, como revela o anúncio do general Maynard Marques de Santa Rosa para a Comissão de Transição. Maynard foi exonerado no governo Lula por ter criticado a Comissão da Verdade.

A piada no poder. Não é só na área econômica que Bolsonaro tem atendido aos lobbies empresariais. Depois dos grupos de interesses principais, temos o de sempre. O agronegócio garantiu seu nome com a deputada Tereza Cristina e a pauta é bem conhecida:mirar nas terras indígenas e quilombolas, aumentar o desmonte da Funai. Tema que a futura ministra tem experiência, junto com a defesa intransigente dos agrotóxicos. Preterido na titularidade da pasta, o setor ainda mais conservador da agricultura, a UDR, ganhou uma secretaria como prêmio de consolação. Por fim, as empresas de planos de saúde também tem agora um ministro para chamar de seu.

Na área da Educação, Bolsonaro atendeu às pressões da bancada evangélica, que não gostou do nome de Mozart Neves Ramos, diretor do Instituto Ayrton Senna. No seu lugar, foi indicado o colombiano naturalizado brasileiro Ricardo Velez Rodriguez, adepto do Escola Sem Partido e defensor, entre outras coisas, que as escolas comemorem o golpe militar. A exemplo do ministro das Relações Exteriores, o da Educação também está na “cota pessoal” de Olavo de Carvalho, guru da extrema-direita brasileira. Como aponta Bernardo Mello Franco, o que era uma piada nos porões da internet virou doutrina oficial do novo governo federal.

Nota-se um padrão. A despeito da figura tosca de Bolsonaro e da cacofonia muitas vezes proposital do novo governo, é possível observar um padrão nas indicações. O que antes era lobby e pressão política, no caso da economia, passa a ocupar cargos no núcleo do poder,como apontam especialistas ouvidos pelo Brasil de Fato. Outro padrão diz respeito às indicações por fora dos partidos, embora muitas delas contemplem partidos tradicionais, o que gera um leve ruído com seu principal aliado, o DEM, e um certo ciúmes do partido do próprio presidente eleito. Interessante observar que alguns dos ministros indicados e nomes fortes do novo governo estão aderindo ao Twitter, transformado em “Diário Oficial” por Bolsonaro na sua estratégia de comunicação direta com a população. Além disso, como aponta o jornalista Gilberto Maringoni: há método no caos. Resta saber como se comportará um governo formado por grupos autônomos (militares, lavajatistas, postoipiranguistas), mas ninguém esqueça que há apoio forte para que o governo “dê certo” no que se propõe. Um exemplo: o assessor de Segurança da Casa Branca, John Bolton, confirmou que vem ao Brasil na semana que vem, como prova do prestígio que Bolsonaro angariou com o governo Trump.

RADAR

Mais Médicos. O caso da retirada dos médicos cubanos mostra bastante do que virá daqui pra frente, não só no que diz respeito ao alinhamento aos EUA e às pautas paranoicas e conservadoras, mas às estratégias de comunicação. Bolsonaro, que já havia mentido sobre a presença de familiares dos médicos, disse na terça (20) que os profissionais que já deixaram o Brasil são militares e agentes infiltrados. Não é a primeira vez que ele mente sobre a qualificação dos médicos. O Ministério da Saúde lançou edital emergencial para médicos brasileiros, que recebeu mais de 11 mil inscrições, porém só a metade foi efetivada. O sistema, aliás, chegou a receber um milhão de acessos simultâneos, “característico de ataques cibernéticos” conforme o próprio ministério. Sobre a importância do programa, vale ler: o Mais Médicos reduziu consideravelmente o número de internações. Mas a imprensa também publicou reportagens críticas, como no caso do médico cubano que se disse explorado e dos telegramas que revelariam que a ideia partiu de Cuba, o que teve resposta do ex-ministro Alexandre Padilha.

Escola Sem Partido. Quem esperava que o STF desse fim à sandice da perseguição ideológica nas escolas, pode começar a repensar. O ministro Dias Toffoli não deve colocar o projeto em pauta na próxima quarta (28) e dá sinais de que não pretende encarar temas polêmicos no início de seu mandato como presidente do STF. Atenção também para o movimento de membros do Ministério Público em favor do projeto: a “nota técnica” divulgada por este grupo é uma cópia de um parecer do idealizador do Escola Sem Partido. Tudo em casa.

Esquerda volver? No mesmo dia em que anunciou a intenção do PT em processar o Whatsapp nos Estados Unidos, Fernando Haddad retornou ao debate político anunciando que o PT deverá atuar em duas frentes no próximo período: a defesa dos direitos sociais com uma frente de centro-esquerda, enquanto a defesa dos direitos civis exigiria alianças mais amplas. Porém, PCdoB e PDT ensaiam vôo próprio de outra frente sem os petistas e o PSOL, com Ciro Gomes como porta-voz de um discurso “antipetista de esquerda”. O nexo ouviu dois especialistas que concordam: a frente sem o PT pode sair, mas não deve funcionar. Haddad também confirmou que participará da articulação internacional proposta por Bernie Sanders, uma espécie de reação ao movimento internacional de Steve Bannon. Mais reflexões sobre a esquerda, lá embaixo, no Boa Leitura.

Pré-sal. O presidente do Senado se reuniu nesta semana com representantes do governo eleito para discutir o projeto que autoriza a Petrobras a negociar parte da exploração de petróleo no pré-sal com empresas privadas. Na saída da reunião, disse que colocará a cessão onerosa do pré-sal em votação depois que for fechado um acordo para que estados e municípios também recebam parte dos recursos que serão arrecadados. O PLC autoriza a Petrobras a transferir a petroleiras privadas até 70% de seus direitos de exploração de petróleo na área do pré-sal.

Movimento estudantil. O Movimento Brasil Livre (MBL), braço jovem e descolado da ascensão da extrema direita, se prepara para entrar no movimento estudantil das universidades.

Direitos trabalhistas. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) suspendeu por 90 dias a tramitação do processo que trataria pela, primeira vez, se o negociado prevalece sobre o legislado, conforme prevê a reforma trabalhista. Em audiência realizada na quarta (21), a relatora deu prazo para que sindicatos patronais e de trabalhadores da área da aviação, envolvidos no caso, cheguem a um acordo sobre as cotas mínimas de contratação de aprendizes e de pessoas com deficiência pelas empresas do setor. Se não houver acordo no prazo, o processo vai a julgamento.

VOCÊ VIU?

Caso Marielle. O ministro da Segurança Pública afirmou nesta quinta (22) que um "complô" tem impedido que "se venha à tona os mandantes e os executores" do assassinato da vereadora Marielle Franco, em março deste ano no Rio de Janeiro. O complô envolveria políticos, milicianos e policiais, segundo reportagem de O Globo. Na quarta, o secretário de Segurança do Rio já havia declarado que milicianos estão envolvidos no crime “com toda a certeza” e que “provavelmente” políticos também participaram.

Coação de empregos. O Ministério Público do Trabalho em Santa Catarina está processando as lojas Havan e seu proprietário, Luciano Hang, por dano moral coletivo por intimidar seus empregados a votarem em Jair Bolsonaro na eleição presidencial.

Ministério Público sem partido. Na semana que vem, a Fundação Escola Superior do Ministério Público (MP) do Distrito Federal sediará dois dias de palestras com temas que parecem extraídos do discurso de Bolsonaro. O “curso de bolsonarismo”, como chamou o BuzzFeed, debaterá temas curiosos, como “a estatística a serviço da ideologia”. Falando nisso, o presidente do TRF-4, Thompson Flores, participa nesta sexta (23) de um colóquio com representantes do bolsonarismo.

Barragens. Relatório da Agência Nacional de Águas (ANA) aponta que aumentou de 25 barragens, em 2016, para 45 em 2017 o número de áreas com risco de desabamento no país. A maioria está localizada no Norte e Nordeste. Em tempo: a reportagem é da Agência Brasil, ameaçada pelo governo eleito.

Exercício militares na Petrobrás. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) questiona os motivos para o Exército ter feito treinamentos com militares em uma refinaria da Petrobrás na Bahia.

BOA LEITURA

Sandálias da humildade. Dois textos convidam a esquerda a se repensar com menos arrogância e tentando entender as mudanças no mundo do trabalho. Tanto Leonardo Sakamoto quanto Henrique Costa batem nas mesmas teclas: a esquerda não entende o trabalhador precarizado e as pautas dos anos 80 já não fazem sentido.

Colapso. No El País, Marcos Nobre diz que apostar na autodestruição do governo só imobiliza as forças democráticas e, ainda, que o futuro governo precisa que o sistema político permaneça colapsado.

Polônia. Uma sociedade polarizada, um governo autoritário que estimula a perseguição religiosa, ataca a imprensa e se alimenta de teorias conspiratórias. A jornalista Anne Applebaum conta o que acontece na Polônia.

Globalismo. Entenda o que significam os conceitos de marxismo cultural e globalismo na visão do novo chanceler Ernesto Araújo. As duas ideias já foram superadas pela direita americana, mas fazem sucesso entre os seguidores de Olavo de Carvalho.

Globalismo IIO jornalista Denis R. Burgierman explica a relação entre os incêndios na Califórnia, os irmãos petroleiros Koch e as ideias do novo chanceler brasileiro.

ArtificialPouca coisa na internet hoje é espontânea e a maior parte do conteúdo da rede são campanhas, diz o especialista em redes sociais P.W. Singer. Para Singer, Facebook e Twitter são omissos em combater a manipulação eleitoral porque se beneficiam como empresas.

Ideologia de gêneroA pesquisadora norte-americana Amy Erica Smith analisa o comportamento de eleitores e parlamentares evangélicos no Brasil. Movidos por valores, a questão central para este grupo é combater a “ideologia de gênero”.

TardioO cientista social Daniel Garcia Delgado explica o que é o neoliberalismo tardio e descreve os efeitos desta política econômica na Argentina.

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Ponto é uma newsletter semanal editada pelo jornal Brasil de Fato.