17 de mar de 2016

Notas sobre o momento político III - Por Rodrigo César.

Notas sobre o momento político III - Por Rodrigo César*.

1. A indicação de Lula ao ministério de Dilma provocou entre os golpistas a precipitação de sua ofensiva final: entramos na fase do “tudo ou nada”, que tende a ser decidida em curtíssimo espaço de tempo.
2. Como dissemos, fatos novos poderiam vir a insuflar novas manifestações da direita. A divulgação dos áudios sem autorização do STF para deslegitimar a nomeação de Lula e a consequente radicalização da pequena burguesia demonstram a intensidade da reação conservadora.
3. Contudo, a ação de Moro deixa novamente um flanco aberto na operação Lava-Jato em função de mais uma ilegalidade: torna-se cada vez mais evidente que a situação de exceção que já era a regra nas periferias alcançou o núcleo do poder de Estado.
4. A tese de que Lula foi para o ministério em busca de proteção jurídica (foro privilegiado) tende a ganhar as massas caso não haja um contraponto à altura: questionar a gravação e vazamento dos telefonemas e denunciar a inconsistência das ilações feitas a partir de seu conteúdo.
5. A maioria da classe trabalhadora vê a situação atual do país com muita apreensão e expectativa: ao mesmo tempo em que estão insatisfeitos com o governo e o PT, sabem que os movimentos pelo impeachment de Dilma e a prisão de Lula vão contra seus interesses de classe.
6. Mas se não houver reação imediata, principalmente do governo, as chances de reverter o quadro serão ainda mais reduzidas: é preciso sinalizar para a classe trabalhadora uma saída para a crise econômica e para a crise política.
7. Os próximos dias serão decisivos para o desfecho da crise. Devemos ampliar a convocatória e intensificar a mobilização para os atos do dia 18 e nos preparar para não cair nas provocações da direita, que estimularão o tumulto e a confusão.
8. Ao longo desta quinta-feira, atos públicos, ações de agitação e propaganda e concentrações em locais estratégicos serão fundamentais e devem ser realizadas espontaneamente.
9. Precisamos demonstrar que a resistência ao golpe irá até o fim: não tem arrego!

* Rodrigo Cesar é militante do PT. Créditos Página 13.