29 de dez de 2014

ARGENTINA: 1% DOS FUNCIONÁRIOS DEVERÃO SER TRAVESTIS


Argentina cria cota para funcionários travestis

Pelo menos 1% dos funcionários da província de Buenos Aires, onde moram 39% dos argentinos, deverão ser do coletivo travesti, transexual, trans ou transgênero.  A Câmara dos Deputados dessa província aprovou nesta quarta-feira (17)  uma iniciativa que garante a cota.
A iniciativa foi apresentada pela deputada provincial, Karina Nazabal, quem tenta promover “novas políticas com mais direitos para o coletivo travesti  e trans”. Ela explicou que “hoje ainda aparecem dificuldades que temos que resolver como o o emprego, tanto no sector privado e público, e temos de continuar chamando a atenção da opinião pública para alcançar verdadeira igualdade de oportunidades”.
Nazabal ressaltou que a cota tem “dois objetivos principais: conseguir um trabalho autêntico e digno para este grupo, que tem geralmente a única maneira de se sustentar todos os dias, a prostituição, e também fazer visíveis  essas pessoas.” Ela acrescentou que acreditam que a partir da experiência de estar em contato com um funcionário trans “vai ir se incorporando e ira a transformar o cultural, o que é afinal o que precisamos após da promulgação da lei de identidade de gênero “.
A província de Buenos Aires não é a única preocupada com o emprego de transexuais. Em Rosário, a terceira cidade mais populosa da Argentina, depois de Buenos Aires e Córdoba, dois vereadores, da União Cívica Radical (UCR, centrista) e da FpV, propuseram a criação de uma cota de empregos públicos para o coletivo trans. A iniciativa da FpV tem o apoio do coletivo Putos Peronistas, integrado por lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT) de bairros pobres e identificados com o peronismo.
Na cidade autônoma de Buenos Aires (independente da província de mesmo nome), uma vereadora da FpV e militante do coletivo LGBT María Rachid propôs em novembro que os transexuais com mais de 40 anos recebam benefício mensal equivalente a cerca de 680 reais. “Estamos falando de pessoas que têm média de vida de 35 anos, pela extrema exclusão social em que vivem”, disse Rachid, que acusou os meios de comunicação e o partido Proposta Republicana (PRO, conservador), que governa a capital argentina, de distorcer o projeto e divulgar que o benefício seria de mais de 2.000 reais. No Congresso da Argentina, uma deputada kirchnerista apresentou projeto semelhante ao de Rachid. Ambas propostas de auxílio provocaram grande polêmica no país todo, mas só a da província de Buenos Aires conseguiu o consenso para ser aprovada por uma das câmaras do Parlamento distrital.
Com informações de El País