1 de jun de 2014

Política latino-americana é debatida em encontro internacional no Estado do RS, com apoio da ONU.

A 8º Reunião Alternativa Latino-Americana reúne até este domingo (1º), no Galpão Crioulo do Palácio Piratini, representantes do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) para debater o papel da participação popular na construção da democracia nos países da América Latina. O grupo que está em Porto Alegre é formado por 26 pessoas de 11 países, para discutir e propor, durante três dias, conteúdos e definições nas relações latino-americanas.
O debate neste sábado (31), com o governador Tarso Genro, incluiu temas como o cenário político do continente, o protagonismo do cidadão, questões do Direito Internacional e Econômico, e a situação das conjunturas nacionais envolvendo os países que compõem o bloco, através da visão progressista de conjunto de território. "Somos estudiosos políticos, queremos compreender e pensar políticas futuras fundamentadas no conceito de bloco, de conjunto para a América Latina", explicou o ministro de Relações Exteriores da Guatemala, Fernando Carrera.
Representando a Colômbia, o ex-secretário de Governo e atual porta-voz do Movimento Progressista do país, Antônio Navarro Wolft, destacou as semelhanças das dificuldades que atingem os países do bloco. "São problemas comuns. Estamos buscando um modelo latino-americano com reflexos práticos. Pensamos numa convivência social e produtiva com uma reorganização de classes viável no contexto das relações internacionais já estabelecidas. Achamos que algumas soluções aplicadas pelo Brasil são ricas e servem como exemplo, desde que respeitada a particularidade de cada um," disse.
De acordo com o deputado federal distrital do México Armando Piter, as reflexões do encontro demonstram "aflições de irmãos". "São modelos políticos que influenciam o crescimento dos países e seus povos. São desafios difíceis e conservadores, que para superá-los passam por uma integração progressista e forte do bloco".

Reformas 
Ao participar do evento na tarde de sábado, no painel sobre o Brasil, o governador Tarso Genro defendeu as reformas Política e Tributária para a construção de uma nova configuração do sistema federativo no país. "A reestruturação das classes sociais no Brasil foi feita com programas de inclusão social, produtivo, educacional, de fomento, e de forma modelar", destacou, citando como exemplo o Bolsa Família. "A questão agora é a Reforma Política, pois a composição parlamentar reflete uma deformação genética do país." Sobre a Reforma Tributária, o governador enfatizou que a ação é urgente e necessária. "Precisamos ajustar de forma sustentável e justa a questão dos tributos e recursos no arranjo federativo", concluiu.


Protagonismo gaúcho 
Segundo o coordenador da Assessoria de Cooperação e Relações Internacionais do Governo do Estado, Tarson Nuñez, a recepção de um evento deste porte sinaliza a representatividade política do Rio Grande do Sul. "O Estado hoje se consolida como referência e polo de inovação política e de diálogo sobre novos modelos de desenvolvimento alternativos, uma vez que esse grupo é plural, ecumênico, de forças políticas heterogênias", observou.

O evento é promovido pelo Alternativa Latino-Americana, fórum criado em 2010 pela Fundação Chile21, com apoio do Pnud. Entre as autoridades presentes na Capital, também estão o assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, o ex-ministro das Relações Exteriores do México, Jorge Castañeda, e o ex-ministro da Economia do Chile, Carlos Ominami. A próxima Reunião Alternativa Latino-Americana está prevista para setembro no México. Texto: Anamaria Bessil