30 de jan de 2014

EUA espalham "comandos especiais" por quase metade do mundo

EUA espalham "comandos especiais" por quase metade do mundo

As forças de Operações Especiais dos Estados Unidos estiveram destacadas ou cooperaram com militares em 106 países em todo o mundo durante os anos 2012 e 2013, segundo cálculos do portal Tom Dispatch, com base em fontes abertas. 
“De fato, o Comando de Operações Especiais dos EUA (Socom) converteu o planeta em um gigantesco campo de batalhas," disse Nick Turse, editor-adjunto do Tom Dispatch.
"O Pentágono [Departamento de Defesa] dividiu o globo, quase cada centímetro dele, como uma torta gigante, em seis pedaços de comando: Eucom, para a Europa e a Rússia; Pacom, para a Ásia; Centcom, para o Oriente Médio e o Norte da África; Southcom, para a América Latina; Northcom, para os EUA, Canadá e México; e Africom, para a maior parte da África. Mas as ambições do Pentágono não se limitam à Terra: há também o Stratcom, para o comando do cosmo, e o Cybercom, que se dedica a controlar a internet,” destaca.
O orçamento outorgado pelo Estado para servir as necessidades do organismo alcançou os US$ 6,9 bilhões, em 2013. Levando em conta os fundos suplementares, a cifra de financiamento real é de US$ 10,4 bilhões.
O Socom leva a cabo missões secretas no exterior, como operações contraterroristas, de reconhecimento especial e guerra não convencional (inclusive a propagandística). Dedica-se, além disso, a treinar as tropas de seus parceiros estrangeiros, servir como conselheiros e realizar manobras militares conjuntas.
Em 2001, o contingente do Socom era de 33.000 efetivos. Em 2014, está presente em todos os continentes, mesmo a Antártica, e supostamente, conta com 72.000 efetivos, sendo aproximadamente a metade deles composta por pessoal de apoio. Segundo pontua Turse, as suas cifras são fruto da análise de documentos oficiais governamentais, comunicados de imprensa e informes acidentais nos meios de comunicação.
Turse ressalta que um porta-voz do Socom, Matthew Robert Bokckholt, respondendo a suas perguntas, limitou-se a comentar que tornar público em que países exatamente estão presentes as suas forças iria incomodar os aliados estrangeiros e teria posto em perigo a vida dos militares estadunidenses. Bockholt insistiu, ainda, que simplesmente o fato de revelar o total de países que colaboraram com o Socom também ameaçaria a segurança nacional.
O único dado oficial disponível a respeito é que o programa de desenvolvimento da entidade prevê que dentro de seis anos, ela tenha a sua disposição uma rede de aliados e parceiros interagências “de ideias compartilhadas” que cubra não só os países individualmente, mas o mundo inteiro.
“O Socom está melhorando a sua rede global de forças de operações especiais para poder apoiar os nossos parceiros internacionais e interagências. O objetivo é aprofundar o conhecimento das possíveis situações de ameaças e oportunidades emergentes. Tal rede permite a presença pequena e permanente em lugares críticos e facilita a participação em um conflito, quando seja necessário e apropriado,” argumentou, no ano passado, o chefe do organismo, almirante William McRaven, em um comunicado lido diante da Comissão de Serviços Armados da Câmara dos Deputados.

Fonte: Russia Today
Tradução de Moara Crivelente, da redação do Vermelho