
Bolsonarismo é apenas o nome fantasia do movimento real de ultradireita, cuja verdadeira fonte é a Lava Jato
Ainda
não caiu a ficha da mídia sobre o que significa essa jogada da Lava
Jato, de administrar R$ 2,5 bilhões bancados pela Petrobras. Foi montada
uma fundação de direito privado que será totalmente controlada pelos
procuradores e juízes da 13ª Vara Federal de Curitiba, o núcleo da Lava
Jato. Apenas com a aplicação dos recursos, serão gerados R$ 160 milhões
anuais, segundo nota do Ministério Público Federal do Paraná.
A
fundação terá um administrador escolhido pelo Procurador Chefe da
Procuradoria da República de 1a instância. E selecionará as figuras da
sociedade civil que comporão o conselho, compartilhando a supervisão com
o juiz da 13ª Vara Federal, a de Sérgio Moro.
Todo
esse dinheiro poderá ser aplicado em iniciativas de combate à
corrupção. Ou seja, qualquer consultor, colega procurador, ONG amiga,
palestrantes ou consultores indicados por Rosangela Moro ou Carlos
Zucolotto, poderá apresentar projetos para serem financiados.
A
ideia de que haverá fiscalização do TCU ou outros órgãos é ilusória.
Qualquer projeto que tenha a capa da campanha anticorrupção terá
cumprido os requisitos exigidos. Não haverá licitação para escolha dos
projetos, nem a garantia da isenção partidária. Serão aqueles que forem
selecionados pelo Conselho da Lava Jato. E serão aqueles com afinidades
pessoais, profissionais ou políticas com a Lava Jato.
Lava Jato e a tomada do poder
E
aí é necessário se aprofundar um pouco na gênese do bolsonarismo. O
movimento de ultradireita recente nasceu no Paraná, em parte devido às
pregações de Olavo de Carvalho, nos anos 90. Mas, principalmente, em
torno da defesa da Lava Jato.
Há
alguns anos, qualquer crítica à Lava Jato no YouTube ou Facebook atraia
varejeiras de todos os quadrantes, com o discurso agressivo que
marcaria posteriormente o bolsonarismo. A Lava Jato é a bandeira
unificadora, filha dileta da mais conservadora sociedade brasileira, a
paranaense. Bolsonaro é apenas uma marca fantasia, um acidente de
percurso, o candidato à mão que mais se aproximava da personalidade
Neandertal dos grupos gestados em torno das bandeiras da Lava Jato.
Os
Bolsonaro estão longe do estereótipo de famílias ilustres como os
Genovese, Gambino, Bonanno ou Colombo. Delas têm apenas a falta de
limites morais e de qualquer noção de civilidade. Mas falta aos
Bolsonaro capacidade mínima para exercer qualquer liderança que vá além
da ofensa primária. Seu perfil familiar é muito mais próximo de Kate
Baker e outras famílias desajustadas na depressão dos Estados Unidos.
Ao
contrário da Lava Jato, que, além de usar e abusar do poder de Estado,
tem entrada nas Forças Armadas, Judiciário, mídia, blogosfera de direita
e grupos empresariais, os Bolsonaro não tem acesso ao sistema. Não se
sabe até quando resistirão as fantasias em torno de Sérgio Moro, à vista
de suas limitações, que se tornam mais nítidas a cada dia. Mas a bola
continua com a Lava Jato.
Como
a Lava Jato se tornou uma organização política, esse dinheiro servirá
para financiar uma estrutura política de apoio por todo o país. As
verbas estão garantidas e nem serão necessários laranjas, como os do
PSL. Basta uma fundação, uma associação, um clube, uma consultoria em
qualquer parte do país, empunhando as bandeiras da Lava Jato, de luta
contra a corrupção, para se enquadrar nos estatutos da fundação e obter
aportes financeiros.
O
Movimento Brasil Livre foi financiado com R$ 5 milhões, com a missão
grandiosa de defender a iniciativa privada. Gerou um batalhão de
candidatos políticos.
Lava Jato e os negócios
Outros objetivos da fundação são menos letais, como estimular os programas de compliance.
Ai visaria apenas consolidar o milionário mercado de palestras e
consultorias para os maiores especialistas em processos contra empresas:
os próprio lavajateiros, seguindo os passos do procurador Carlos
Fernando Lima, que anunciou sua aposentadoria e sua futura carreira no
mercado de compliance.
Com
essas jogadas se está criando um partido político riquíssimo, com
agentes do Estado exercendo poder de Estado se apropriando de verbas
públicas, com autonomia em relação à Procuradoria Geral da República e
aos poderes constituídos.
No
Xadrez de ontem, lembrei casos narrados pelas obras sobre o fascismo,
do início do ovo da serpente. Seria importante que mídia, Judiciário,
juristas, partidos políticos, se dessem conta, enquanto é tempo, do
monstro político que estão criando, permitindo que R$ 2,5 bilhões e meio
sejam utilizados para financiamento dos propósitos políticos da Lava
Jato.
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