Exército Brasileiro forma mulheres sargentos na linha bélica
| 30 abril 2019
CAPACITAÇÃO E DESENVOLVIMENTO
Alunas e alunos do Curso de Formação e Graduação de Sargentos participam da cerimônia de início das aulas no 4º Grupo de Artilharia de Campanha Leve, no dia 23 de fevereiro. (Foto: Exército Brasileiro)
Foi no ano de 2016 que o Exército Brasileiro (EB) abriu pela primeira vez a possibilidade de inscrição para mulheres em seu concurso de admissão aos cursos de formação de sargentos na linha de ensino militar bélico. Na época, o certame contou com 12.498 inscritas. Os concursos seguintes mantiveram a mesma quantidade de vagas – 100 por ano –, mas o número de candidatas aumentou. No último concurso, realizado em 2018, foram 17.144 mulheres concorrentes, de acordo com a Seção de Comunicação Social da Escola de Sargentos das Armas.

Em 2019, o Exército Brasileiro tem a sua terceira turma de mulheres em formação para atuação na linha de ensino bélico. (Foto: Exército Brasileiro)
“Sonho com essa carreira desde a minha infância”, contou a aluna Stefanny Rodrigues, uma das aprovadas no concurso de 2018. “Meu pai foi militar e sempre me incentivou contando suas experiências e o quanto o Exército acrescentou na vida dele”, lembrou a futura sargento, que começou suas aulas em 23 de fevereiro de 2019, juntamente com as demais 99 mulheres admitidas.
A formação de sargento do EB tem duração de dois anos, sendo o primeiro chamado de período básico e o segundo de período de qualificação. Das 12 organizações militares que recebem alunos para o período básico, duas recebem mulheres, formando turmas mistas. Uma delas é o 4º Grupo de Artilharia de Campanha Leve (4º GACL), em Juiz de Fora, Minas Gerais, onde Rodrigues faz sua formação. A sua turma tem 54 alunas e 32 alunos.
Dia a dia
Durante 2019, esses novos militares serão apresentados a conteúdos relacionados a técnicas militares, armamento, munição e tiro. Também fazem parte do currículo conhecimentos como liderança militar, ética profissional militar, direito, história militar do Brasil e inglês.
Os alunos passam por todas as disciplinas, assim como pelo treinamento físico militar. “Não há distinção na formação de homens e mulheres. A única atividade diferenciada é a avaliação de treinamento físico, que apresenta índices diferentes para homens e mulheres, resguardadas as diferenças físicas entre os sexos”, explicou o Major do EB Fábio Cristiano Taffarel, chefe da seção de Admissão da Escola de Sargentos das Armas.

O 4º Grupo de Artilharia de Campanha Leve é uma das duas organizações militares que admitem mulheres para a carreira de sargento e, em 2019, tem 54 alunas e 32 alunos matriculados. (Foto: Exército Brasileiro)
“Nosso dia a dia é cheio de afazeres, que começam a partir das 5 a. m. com o preparo da apresentação individual, a organização do nosso alojamento, instruções, treinamentos físicos, canções e estudos”, disse a aluna Bárbara Pinheiro, que também acabou de ingressar no 4º GACL. Para ela, a experiência com os colegas tem sido positiva. “A união e a camaradagem são valores muitos visados dentro da vida militar, por isso a interação entre os alunos tem consequências positivas”, afirmou.
Futuro
Ao final das 48 semanas do período básico, os alunos que tiverem atingido os rendimentos intelectual, técnico e físico exigidos, com pelo menos a nota mínima para a aprovação em todas as disciplinas da grade curricular, estarão habilitados a passar para o período de qualificação. Este período corresponde à última etapa do curso, informou o Capitão do EB Rodrigo da Silva, instrutor-chefe do Curso de Formação e Graduação de Sargentos no 4º GACL.
Nessa fase, dentro da linha de ensino militar bélico, as mulheres poderão optar pelo ingresso em duas instituições, das três que estão disponíveis aos alunos em formação para sargento: Escola de Sargentos de Logística (EsSLog), ou Centro de Instrução de Aviação do Exército (CIAvEx). A EsSLog e o CIAvEx preparam os sargentos nas áreas de logística-técnica, com formação específica em intendência, topografia, material bélico e manutenção de comunicações; e de aviação, com formação específica em manutenção e em apoio de aviação.
Com a qualificação militar para serviços de intendência, por exemplo, os sargentos podem prestar apoio logístico e administrativo em combate ou tempo de paz a todas as organizações combatentes do EB. Já com a qualificação em material bélico, elas e eles podem prestar apoio de manutenção a armamentos leves e pesados, assim como manutenção de viaturas, sendo responsáveis pela operacionalidade das tropas que as utilizam na execução de suas missões. Como sargentos formados na área de apoio em aviação, os alunos podem também desempenhar atividades de apoio às aeronaves no abastecimento, combate a incêndio e controle de tráfego aéreo, além de prestar informações meteorológicas e aeronáuticas para a aviação do EB.
Para Rodrigues, a presença do segmento feminino no EB é uma inovação que é recebida de forma “muito respeitosa e, ao mesmo tempo, rigorosa, tendo em vista as responsabilidades que teremos ao nos formar como sargentos”. Ela ainda não definiu qual área de qualificação irá buscar ao final do período básico, preferindo valorizar, por enquanto, a sua primeira conquista. “Um dos meus maiores sonhos já realizei no momento em que coloquei minha farda verde oliva.”
Créditos Diálogo. Publicado originalmente em: https://dialogo-americas.com/pt/articles/brazilian-army-trains-female-ncos-war-studies
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