29 de mar de 2015

Defesa terá 38 mil militares para os Jogos Olímpicos

Defesa terá 38 mil militares para os Jogos Olímpicos



Orçamento destinado pelo governo federal ao setor de defesa no intervalo entre 2014 e 2016 totaliza R$ 580 milhões

Cerca de 38 mil militares das Forças Armadas serão mobilizados para atuar em ações de defesa durante os Jogos Olímpicos Rio 2016. O planejamento deve estar concluído até o final deste ano e, para isso, a Marinha, o Exército e a Aeronáutica se valerão da experiência adquirida em grandes eventos já realizados no País. O orçamento do governo para o setor, no período 2014 a 2016, é de R$ 580 milhões.

Em entrevista ao Portal Brasil 2016, o assessor especial para Grandes Eventos do Ministério da Defesa, general Jamil Megid Junior, dá mais detalhes sobre como as Forças Armadas estão se preparando para as Olimpíadas e Paralimpíadas no próximo ano.

“Nosso orçamento atualmente é projetado em cerca de R$ 580 milhões em três anos: 2014, 2015 e 2016. Isso já levou em consideração o legado dos eventos anteriores.  Além disso, estamos modernizando sistemas, ampliando a nossa área de comunicação rádio-digital, os sistemas de Comando e Controle, aprimorando sistemas de aeronaves, navios e das nossas viaturas, e estamos adquirindo equipamentos novos, particularmente na área de prevenção a incidentes químicos, biológicos, nucleares e radiológicos, prevenção à área de terrorismo e cibernética”, explicou o general Megid.

De acordo com ele, a estimativa é que 38 mil militares atuem nos Jogos 2016, especialmente na região de Deodoro. Megid destaca também o legado esportivo-militar para a preparação de atletas ligados às Forças Armadas e revela a meta para 2016: dobrar o número de medalhas obtidas por esportistas militares no ano que vem.

500 dias
"A 500 dias dos Jogos Olímpicos estamos na fase de concluir os planejamentos. Iniciamos com o plano estratégico, numa gradação com o plano operacional na cidade-sede principal, que é o Rio de Janeiro, e agora estamos setorizando o planejamento em cada área olímpica dentro do Rio. Paralelamente, iniciamos a preparação. É claro que a preparação das unidades militares já vem sendo feita desde o Pan de 2007. Várias equipes especializadas vêm participando dessa série de grandes eventos. Estamos progressivamente melhorando o treinamento e o planejamento. Por que isso? Para que eles já possam fazer exercícios objetivos nos eventos-teste."
"Em cada um, iremos treinar alguma tarefa especifica de segurança ou diversas ações, conforme o evento- teste, e vamos com isso fazer esse treinamento prático, não só internamente nas nossas áreas de instrução como também no evento-teste propriamente dito."

38 mil militares
"São mais de 20 instituições no Rio de Janeiro – de Segurança Pública, Inteligência, Defesa Civil e Forças Armadas – estudando instalação por instalação, para ter esse detalhamento ponto a ponto.  A nossa estimativa hoje está em torno de 38 mil militares nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Isso não é só no Rio. A maior parte do efetivo estará no Rio, mas temos unidades militares nas cidades do futebol olímpico e teremos uma reserva de contingência para sempre procurar atender uma necessidade que surja durante o evento."

Deodoro
"Como Forças Armadas, estamos usando o mesmo escopo de ações que tivemos na Copa do Mundo, com um detalhe a mais, que é uma característica dos Jogos Olímpicos no Rio: nós temos o setor Deodoro, que é o segundo maior setor olímpico, com nove competições ocorrendo na Vila Militar, em instalações que são das Forças Armadas. Então, nessa área, nós teremos muito mais atividades das Forças Armadas. Nós é que fazemos o patrulhamento das ruas, a segurança da instalação como um todo e aí, juntamente com a Polícia Militar, Polícia Civil, a segurança privada, vamos participar com um maior efetivo visível, por serem competições olímpicas dentro de quartéis da Marinha, do Exército e da Aeronáutica."

Combate ao Terrorismo
"Prevenção, repressão e combate ao terrorismo – como denominamos esse eixo –, em qualquer grande evento, tem uma importância específica, pelo tipo de ameaça, que requer uma avaliação, um acompanhamento e a meta é prevenir. O histórico dos Jogos indica que há que ter uma atenção maior nisso. Estamos preparando as tropas especializadas, juntamente com Policia Federal, Policia Militar, Policia Civil e Inteligência,  para ter essa atenção redobrada, ter um efetivo melhor distribuído, fazer a maior quantidade de medidas preventivas e estaremos prontos para uma pronta-resposta, se houver necessidade."

Investimentos
"Nosso orçamento atualmente é de cerca de R$ 580 milhões em três anos: 2014, 2015 e 2016. O planejamento já levou em consideração o legado dos eventos anteriores. Além disso, estamos modernizando sistemas, ampliando a área de comunicação rádio-digital – que agora abrange todo o Grande Rio, uma área muito maior, e teremos mais militares operando ao mesmo tempo –, estamos ampliando os sistemas de Comando e Controle, modernizando sistemas de aeronaves, navios e das nossas viaturas."
"Além disso, estamos adquirindo equipamentos novos, particularmente na área de prevenção a incidentes químicos, biológicos, nucleares e radiológicos, prevenção à área de terrorismo e cibernética.  Equipamentos novos que compõem um sistema que já existia, o legado anterior dos últimos eventos."

Legado esportivo-militar
"Nos Jogos Olímpicos, o Ministério da Defesa tem mais uma característica. Como teremos instalações esportivas em áreas militares, dessas competições que ocorrem principalmente em Deodoro e outros locais de treinamento, então vamos também ter melhores instalações esportivas para o treinamento das nossas equipes. E, paralelamente, estamos confirmando, desde 2009, quando foi implantado, o nosso programa de alto rendimento, que é termos atletas militares no nível das nossas seleções olímpicas."
"Temos diversos atletas que são militares, participam da nossa atividade de treinamento físico, motivam a tropa e participam das competições olímpicas. Temos vários medalhistas na Marinha, no Exército e na Aeronáutica. Isso está sendo reforçado para os Jogos Olímpicos."

Atletas militares
"O nosso programa de alto rendimento das Forças Armadas, que é conduzido pelo Departamento de Desporto Militar do Ministério da Defesa, vem desenvolvendo esse programa desde 2009 e atendeu muito bem os 5º Jogos Mundiais Militares. O Brasil ganhou essa competição, como resultado desse trabalho, e ele prosseguiu. Estamos indo agora em 2015, em setembro, para os 6º Jogos Mundiais Militares, na Coreia do Sul."
"Temos uma quantidade maior de atletas na Marinha, no Exército e na Aeronáutica, das diversas equipes olímpicas e alguns esportes militares, que são específicos das Forças Armadas, como paraquedismo, pentatlo militar, que é diferente do pentatlo moderno. E esse apoio é feito com o Comitê Olímpico do Brasil, o Ministério do Esporte e as confederações."
"Normalmente as confederações que têm uma estrutura menor usufruem mais do apoio militar, porque usam as nossas instalações esportivas, permitem o treinamento desse nível olímpico, são boas instalações, são legado também. E eles participam tanto da equipe militar quanto da olímpica."

Meta para 2016
"A meta para 2016 é termos cerca de 100 atletas do alto rendimento militar participando das equipes olímpicas e com certeza dobrarmos o número de medalhas. Então seria em torno de 10 medalhas olímpicas. Isso está caminhando muito bem."

Ministério da Defesa