14 de jun de 2014

Palavras de um judeu-brasileiro sobre os insultos contra Dilma


Ei Dilma, vai tomar...

Como judeu, membro de uma minoria perseguida por centenas de anos me senti enojado pelo insulto de parte do público na abertura da copa. Insultos que podem ter sido dirigidos a nossa presidente, mas que atingiram toda nação e nos envergonharam profundamente em frente a bilhões de telespectadores do mundo todo.

Quem fez isso foram os órfãos dos benefícios sistemáticos que acompanharam a classe alta por muitos anos. Os que foram educados nas universidades públicas, pois tinham acesso as melhores escolas particulares. Os mesmos que pedem agora mais educação, mais saúde e mais segurança.

Pedem mais saúde, mas são contra o programa “Mais Médicos” porque seus filhos não querem trabalhar longe de casa e não aceitam competir com quem se dispõe a isso.

Pedem mais educação, mas são contra o Enem e as cotas porque agora fica mais difícil competir por uma vaga na universidade gratuita.
Pedem mais segurança, mas apoiam o vandalismo e sabem que segurança é de competência dos governadores, não da presidente.

Moisés ao descer com as tábuas da lei encontrou o povo judeu adorando um bezerro de ouro. Sua raiva foi tamanha que quebrou as tábuas para chamar o povo à razão. Deus obrigou aquele povo que havia salvado da escravidão e dado uma nova nação a permanecer vagando pelo deserto por 40 anos até que toda esta geração desaparecesse e uma nova chegasse para criar a nova nação. Nem mesmo a Moisés foi dado o direito de entrar na nova terra.

Pensando na história de Moisés, imagino que talvez seja mesmo necessário aguardarmos simbolicamente 40 anos para que esta nova geração vinda do Enem e das políticas sociais de inclusão cheguem à idade da razão e assumam o país. Tempo suficiente para que esta geração de mal educados filhos da ditadura desapareça e o nome do Brasil possa ser pronunciado com orgulho novamente por todos seus filhos.

Construir uma nação que dê as mesmas oportunidades a todos não é tarefa fácil. Acabar com a corrupção, também não. No entanto nunca se viu tanto esforço para tornar o país mais justo e prender corruptos como nos últimos anos. O Brasil vem mudando a olhos vistos. Muito se fez, muito se está fazendo e muito falta por fazer.

Que bom que temos diversos partidos políticos da extrema esquerda a extrema direita. Todos podem votar e procurar eleger aquele que melhor represente seu pensamento. Ninguém mais é obrigado a votar a cabresto. Faça uso de seu voto. Ele pode gerar mudanças.

Por fim, na próxima vez que pensar em insultar a presidente, que tal uma frase inteligente como Dilma vá tomar consciência?

Em tempo, vou abrir meu voto: Dilma presidente.